Sobre imperialismo, escravidão e justiça.
Não é novidade para ninguém que os Estados Unidos financiaram o golpe de 1964, assim como vários dos golpes militares que afrontaram muitas democracias na América Latina e ao redor do mundo. O domínio desse país, histórico desde muito antes do massacre dos índios latino americanos, requer um cuidado se vamos realmente nos preocupar com o futuro do nosso país, sem esquecer dos nossos vizinhos - haja vista que na nossa Constituição há um artigo ou parágrafo específico que fala sobre a cooperação dos povos latino americanos.
Assisti a pouco uma mini palestra de um professor da USP, Clóvis de Barros Filho, em que ele opina, na minha visão, perfeitamente bem sobre este domínio. Ele não cita o financiamento destes golpes que eu citei na introdução, mas fala de um tema muito abrangente, que vai de encontro a esse pensamento: o fato de proletariado e burguesia nunca entrarem em confronto. Nós, proletários, não estamos organizados nem preparados para uma revolução, um enfrentamento frente a burguesia que nos domina a tanto tempo. No geral, consideramos válida quase todo tipo de dominação, pois muitas pessoas pertencentes a nossa classe acreditam, por exemplo, na teoria da Meritocracia, ou seja, tu recebes aquilo que mereceres. Teriam todos os cidadãos brasileiros ditos pobres, oriundos de lugares menos favorecidos pela economia global capitalista, apenas para ficarmos na nossa aldeia, condições de ter as mesmas oportunidades que brasileiros de classe média/alta, sendo que estes muitas vezes não precisam nem trabalhar para ter uma oportunidade de crescimento na vida profissional? Quem é de classe média/baixa, que não tem condições de financiar um curso superior, e que muitas vezes passam por situações análogas a extrema pobreza, como as secas no norte/nordeste e a fome em muitos lugares, estão condenadas a ter que batalhar muito por uma oportunidade, ainda que existam as políticas afirmativas, como as cotas para negros e pessoas de baixa renda. O problema é que ainda encontramos, em grande número, pessoas pertencentes a essas classes menos favorecidas, que concordam com essas medidas, daí o motivo de dizer que não estamos unidos e organizados como classe. A famigerada luta de classes, trazida a tona pelo filósofo alemão Karl Marx, é a própria história da humanidade, e que nunca esteve tão atual. A dominação é tanta que eles fazem muitos de nós acreditarmos ser justo uma pessoa que vai almoçar num restaurante gastar, em uma refeição - junto com a família - aquilo que um funcionário desse mesmo restaurante ganha no mês. O problema não reside em o cidadão trabalhar e ganhar para gastar tudo isso numa refeição, o problema é o trabalhador acreditar que a situação dele é justa, que ele está no lugar que lhe é de direito, sendo que se vivêssemos em uma sociedade mais justa e igual, nada disso aconteceria. Normalmente as pessoas que trabalham no centro do país em lugares como restaurantes, como a pessoa citada por Clóvis nesse exemplo, são imigrantes nordestinos, ou de famílias que nasceram no nordeste/norte do país. Esse mesmo cidadão acha justo que uma pessoa tenha que se deslocar da sua terra natal para buscar melhores oportunidades em "terras distantes". Outros países, além de terem uma organização melhor e de serem exploradores de economias mais fracas, são menores em territórios, o que facilita a igualdade. Nós precisamos de 7 Suíças para preencher todo território do Rio Grande do Sul, e mesmo assim, a desigualdade que existe aqui não existe lá.
Por que os Estados Unidos nunca invadiram o Brasil? Não é preciso. Não é preciso abater o gado quando ele já se encontra morto. Não é preciso invadir um país cujo a sua ideologia já é se entregar por completo. Não é preciso declarar guerra a uma nação que possuí políticos que entregam as suas maiores riquezas. O poder de dominação bélico e econômico dos americanos é tão assustador quanto o dos russos. Eles invadem e destroem as nações do Oriente Médio. Por qual motivo? Ora, por acaso eles se entregam tão facilmente quanto nós? Acredito que não.
Vejo pessoas nas redes sociais e nas ruas defendendo a PEC 55/241, que limita os investimentos em diversas áreas por 20 anos. Povo que aceita e que vota para ser escravo - vide eleições - jamais será libertado desse tipo de dominação. Enquanto existirem pessoas que votam em filhos de pessoas que apoiaram a ditadura e que votaram a favor da PEC e que acreditam nisso como solução dos nossos problemas, o Brasil nunca vai mudar. A prova de que essa proposta de emenda a constituição servirá apenas para destruir conquistas do povo, é que foi aprovado o aumento dos servidores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com um impacto de R$ 58.000.000.000,00 até 2019. Os Ministros, secretários e juízes do STF não passarão pela PEC do corte de investimentos (investimentos, não gastos). Aonde está a coerência nisso?
Ainda encontramos cordeirinhos do governo federal que criticam as ocupações nas universidades e colégios brasileiros, em protesto contra essa PEC. As universidades mantidas pelo poder público, ditas não privadas, existem para servir a população, principalmente os estudantes que tem o privilégio de entrar na mesma (mesmo que muitos destes sejam filhos de pais ricos). É de direito, pelo motivo que for, que estes ocupem os lugares que lhe são de direito. Pelo menos 1.108 instituições de ensino em todo território nacional estão ocupadas, dentre elas 1.022 escolas e institutos federais, 82 universidades e 4 núcleos regionais de educação. Além de protestarem contra a PEC, os estudantes criticam a Medida Provisória 746, que altera diretrizes do ensino médio. Essas ocupações, além do caráter contestador, com manifestações de diversas formas, são palcos de coisas incríveis: aulas públicas, debates, palestras, enfim, muitas maneiras de conscientizar a população, não apenas os que permanecem nas ocupações, mas sim toda a sociedade, da importância do movimento estudantil. É óbvio que, muito provavelmente, de nada adiantará, pois a PEC vai entrar em prática mesmo que muitos sejam contra, mas pelo menos o ideal segue vivo. É lamentável que o resultado dessas eleições mostre que, a princípios, as soluções estão longe, e realmente estão.
Como libertar um povo que vota para ser escravo? Como lutar por uma sociedade mais justa em uma capital que vota em Marchezan, e coloca ao lado dele no segundo turno um fantoche do golpismo? Como acreditar em mudança quando elege-se, nas duas maiores capitais do país, um empresário e um fundamentalista? É difícil, mas a luta tem que continuar.
Referências:
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2016/10/26/internas_polbraeco,554779/mais-de-mil-escolas-e-universidades-estao-ocupadas-no-brasil.shtml
https://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/temer-comemora-aumento-de-r-58-bilhoes-para-deputados-senadores-e-ministros/
Por que os Estados Unidos nunca invadiram o Brasil? Não é preciso. Não é preciso abater o gado quando ele já se encontra morto. Não é preciso invadir um país cujo a sua ideologia já é se entregar por completo. Não é preciso declarar guerra a uma nação que possuí políticos que entregam as suas maiores riquezas. O poder de dominação bélico e econômico dos americanos é tão assustador quanto o dos russos. Eles invadem e destroem as nações do Oriente Médio. Por qual motivo? Ora, por acaso eles se entregam tão facilmente quanto nós? Acredito que não.
Vejo pessoas nas redes sociais e nas ruas defendendo a PEC 55/241, que limita os investimentos em diversas áreas por 20 anos. Povo que aceita e que vota para ser escravo - vide eleições - jamais será libertado desse tipo de dominação. Enquanto existirem pessoas que votam em filhos de pessoas que apoiaram a ditadura e que votaram a favor da PEC e que acreditam nisso como solução dos nossos problemas, o Brasil nunca vai mudar. A prova de que essa proposta de emenda a constituição servirá apenas para destruir conquistas do povo, é que foi aprovado o aumento dos servidores dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com um impacto de R$ 58.000.000.000,00 até 2019. Os Ministros, secretários e juízes do STF não passarão pela PEC do corte de investimentos (investimentos, não gastos). Aonde está a coerência nisso?
Ainda encontramos cordeirinhos do governo federal que criticam as ocupações nas universidades e colégios brasileiros, em protesto contra essa PEC. As universidades mantidas pelo poder público, ditas não privadas, existem para servir a população, principalmente os estudantes que tem o privilégio de entrar na mesma (mesmo que muitos destes sejam filhos de pais ricos). É de direito, pelo motivo que for, que estes ocupem os lugares que lhe são de direito. Pelo menos 1.108 instituições de ensino em todo território nacional estão ocupadas, dentre elas 1.022 escolas e institutos federais, 82 universidades e 4 núcleos regionais de educação. Além de protestarem contra a PEC, os estudantes criticam a Medida Provisória 746, que altera diretrizes do ensino médio. Essas ocupações, além do caráter contestador, com manifestações de diversas formas, são palcos de coisas incríveis: aulas públicas, debates, palestras, enfim, muitas maneiras de conscientizar a população, não apenas os que permanecem nas ocupações, mas sim toda a sociedade, da importância do movimento estudantil. É óbvio que, muito provavelmente, de nada adiantará, pois a PEC vai entrar em prática mesmo que muitos sejam contra, mas pelo menos o ideal segue vivo. É lamentável que o resultado dessas eleições mostre que, a princípios, as soluções estão longe, e realmente estão.
Como libertar um povo que vota para ser escravo? Como lutar por uma sociedade mais justa em uma capital que vota em Marchezan, e coloca ao lado dele no segundo turno um fantoche do golpismo? Como acreditar em mudança quando elege-se, nas duas maiores capitais do país, um empresário e um fundamentalista? É difícil, mas a luta tem que continuar.
Referências:
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2016/10/26/internas_polbraeco,554779/mais-de-mil-escolas-e-universidades-estao-ocupadas-no-brasil.shtml
https://catracalivre.com.br/geral/cidadania/indicacao/temer-comemora-aumento-de-r-58-bilhoes-para-deputados-senadores-e-ministros/


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