#86 - Temer e o banditismo de Sílvio Santos
Falar de Sílvio Santos é falar de um dos capítulos mais importantes da história da televisão brasileira. Ele, que com o suor de seu trabalho, criou uma empresa de televisão que não cresceu na Ditadura, como a Globo, merece (ou pelo menos merecia até este domingo) muito respeito. Acontece que nenhum ídolo pode ter sua credibilidade mantida quando recebe em seu programa um impostor, um corrupto ou um canalha, e Sílvio o fez, recebendo o 3 em 1 em seu programa dominical.
Temer foi ao programa do Sílvio para defender a reforma da previdência, para tentar convencer a população a ficar do seu lado e para dizer que a dita reforma, a ser votada em fevereiro, não afetará os mais pobres, é uma "modernização do sistema previdenciário". Um show de horrores. Temer sequer foi perguntando pelo tão golpista quanto ele, o querido Sílvio Santos, sobre os grandes devedores da previdência, os banqueiros e empresários, que tendo suas dívidas somadas, sanariam todo o suposto déficit. Vários estudos já comprovaram a não necessidade de se realizar essa reforma, ainda mais se os devedores pagassem suas dívidas. Várias vezes sou indagado da seguinte maneira: "Henrique, mas se fosse tu, como mexeria na previdência, supondo que ela fosse deficitária e que precisasse de alguma ação?". A conversa entre o apresentador e o canalha, se houvesse algum contraponto poderia apresentar essas questões.
Não mexeria, de qualquer forma, na contribuição e no tempo de idade para aposentadoria dos mais pobres. Inclusive, com todos os dividendos sanados, poderia diminuir-se a contribuição da faixa menor, mas isso seria um assunto para muito adiante. O correto é: quem recebe mais deve pagar mais. E como existem no Brasil muitas empresas que devem e empresários e banqueiros que pagam a mesma taxa que muitos brasileiros de classe média - pois existe um teto, não é preciso ser economista para entender - isso se torna injusto. O imposto sobre as grandes fortunas, aliado a uma reforma da previdência que não prejudique os mais idosos e necessitados ou necessitadas, é o caminho para sanar o déficit (de novo, se ele existe). A prioridade é cobrar de quem deve e aplicar sanções a quem não quer pagar, como a cadeia - algo permitido pelo Código Penal. O conjunto de leis brasileiras é muito rico, o problema é fazer esse sistema funcionar, e para isso é preciso ajuda do Judiciário, que precisa parar de se acovardar e migrar para o lado da população.
O Golpe orquestrado em 2016 tinha essa finalidade. Parte da batalha quase foi vencida por eles: uma condenação de Lula, quase sem volta, era o grande objetivo, ainda não cumprido, que é o de ver o grande líder da nação, o maior presidente de nossa história, atrás das grades. Outro objetivo era tirar os direitos da população, algo que já aconteceu com a reforma trabalhista, com a reforma do ensino médio e acontecerá com a reforma da previdência, pois não acredito que essa reforma não passará - já conseguiram tanta coisa que desanima.
A nossa articulação e a nossa conversa não deve ser um programa de TV aberta, que funciona com concessão pública, pago com dinheiro do povo. A nossa guerra contra a reforma da previdência é na rua, ao lado da população que sofrerá as consequências de mais esse estrago do governo Temer, defendendo um projeto que a população não votou em 2014. Temer só precisará imitar Sílvio Santos, pegar o aviãozinho e perguntar "quem quer dinheiro?" e os deputados irão correndo a sua volta para pegar um reforminha numa cidade aqui, um quebra mola ali, um poste lá... e é assim que funcionam governos respaldados por negociatas. O futuro da nação relegado a pouco mais de 300 deputados que sepultarão de morte a previdência, que irão fazer os aposentados deste país deixarem de existir.
Esperemos que um governo democrático ponha fim, com um referendo revogatório, todas as atrocidades cometidas por este governo. Precisarão de meses, anos de governos populares para resgatar a dignidade da população e os direitos básicos - trabalhistas e previdenciários. Temo pelo futuro da nação, pelo futuro do nosso Estado de Direito, pelo futuro dos pobres que cada vez mais morrem de fome e nunca deixarão de trabalhar. Temo pelos direitos dos quilombolas e dos índios caso um governo ditatorial, como seria o de Bolsonaro, chegar ao poder. Somente com a união do povo e com um radicalização profunda da democracia, com a regulação dos meios de comunicação e com o fim de privilégios para empresários e banqueiros é que o sol voltará a brilhar no nosso amanhã.


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