#104 - Uma Esquerda que a Direita aplaude

Tenho afirmado em diversos fóruns de discussões e debates políticos que o Governo Lula 3 (3º mandato de Luiz Inácio Lula da Silva) é um dos piores governos da nossa história republicana. O máximo que esta gestão chega a ser é um Michel Temer perfumado. 

O que de mais grave aconteceu nestes quase 2 anos de governo, o ocorreram no dia de ontem: o Partido dos Trabalhadores, bem como os demais partidos da base aliada do governo, poderiam ter indicado e orientado que suas respectivas bancadas votassem a favor da taxação das grandes fortunas, uma promessa de governo e uma plataforma de campanha. Pois pasmem: isto não correu. Além de não ter ocorrido, o PT fechou questão em apoiar o candidato a presidência da Câmara dos Deputados de Arthur Lira (PP-AL), Hugo Motta (Republicanos-PB). 

Juntando esse a outros fatos que vem ocorrendo neste governo Lula, baseadas na austeridade fiscal, tão criticada nos Anos 90, mas posta em prática agora, temos a conclusão de que, ao invés de se aproximar da sua base eleitoral histórica, o PT e a esquerda vem se distanciando cada vez mais. E não vemos, de forma efetiva, uma alternativa de esquerda que se alie aos interesses da população mais carente de atenções das forças oficiais. O que vemos é um latifúndio entre o que a esquerda prega e pratica. 

E é por isso que cada vez mais as forças de direita e de centro-direita - e até as da extrema-direita - tem cooptado estes eleitores desgostosos com as falsas promessas de um novo governo de esquerda. Nós sabíamos que um governo Lula 3, com um Congresso cada vez mais reacionário, teria muitas dificuldades, mas não fazíamos ideia de que serão tão catastrófico. Claro que, ao criticar um governo dos petistas, incorro no risco de ser chamado de fascista, mas não serão eles os verdadeiros tiranos? Afinal de contas, quem é que quer cortar o seguro desemprego? Quem aumentou a bandeira da conta de energia? Quem liberou a bancada na votação da taxação das grandes fortunas (que seria um marco histórico da reforma tributária)? Isso que nem mencionei as greves em universidades e institutos federais por reposição financeira - que em um governo de direita já seria motivo de ocupação das instituições. 

Mas afinal de contas, o que a esquerda precisa fazer para retomar o protagonismo na política nacional? 

Primeiro, e principal (e me desculpem a expressão): parar de fazer merda. Simples. Basta defender a população, forçar a bancada a votar a favor da taxação das grandes fortunas, defender o não aumento das contas de energia, enfim, defender os nossos interesses. Depois disso, vem um longo trabalho que a esquerda nunca se propôs a fazer depois que "tomou" o poder com Lula em 2003: se reaproximar das baes, se inserir nelas, entender o que a população precisa, ouvir o que cada cidadão tem a dizer.

A esquerda hoje não sabe se comunicar com as novas e com as velhas gerações, e é isso que vai distanciando cada vez mais ela da população. Pois se tivesse ouvido aqui em Porto Alegre, não teríamos uma Maria do Rosário (PT-RS) candidata a prefeita, sendo uma das figuras do PT mais odiadas em toda a sua história. Tinha necessidade de lançar uma candidatura já fadada ao fracasso? Com tantos nomes bons no partido, decidiram ficar com o bode espiatório. Uma aliança para a derrota.

No mais, ficam os apredizados de mais uma grande derrota da esquerda em escala nacional. Resta saber se, dessa vez, saberemos tirar algum aprendizado. 

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