Por que temer Temer

A quem interessa um futuro governo Temer? A quem interessa o aprofundamento do ajuste fiscal? Quem está na Câmara do Deputados e quer o impeachment, o quer para melhorar o Brasil e dar ao povo uma alternativa de mandato ou só quer chegar ao poder da maneira mais fácil? Essas são perguntas que ficam no ar, sem serem respondidas.

Michel Temer, vice presidente da República, já se acha presidente, tendo inclusive gravado um discurso para a nação. Ele é investigado pela Lava Jato, mas isso parece não fazer diferença, sendo para tirar o PT do poder, vale tudo. Vale inclusive chamar o Eduardo Cunha de "meu malvado favorito", como disse Marco Feliciano, deputado federal pelo PSC. Vale concordar com um deputado que diz que prefere ter um irmão funcionário fantasma do que homossexual. Vale combater a corrupção com a bandidagem de Eduardo Cunha, como deixou claro Roberto Jefferson em entrevista ao Programa Roda Viva. Para chegar ao poder, vale qualquer coisa.

Seria a terceira vez que o PMDB chegaria ao poder sem ganhar um voto se quer. Ganharam no congresso depois da ditadura, chegaram ao poder em 1992 após o impeachment do Collor, e chegarão agora caso o processo contra a presidenta Dilma tiver sucesso. Os militantes apoiadores do impeachment ainda não se deram conta de quem comandará o nosso país nos próximos dois anos e meio caso isso vá adiante. Essa turma do PMDB dará poder para outros partidos, formando uma base aliada extremamente corrupta e indefensável. Partidos que tem os maiores números de indicados na Lava Jato, de condenados pela lei Ficha Limpa, fora as acusações em outros casos de corrupção, certamente terão a sua parcela de empoderamento nesse mandato, como o PP, o DEM, o PSDB, dentre outros. A turma do Golpe é suja, tem uma história negativa e desconfiável, quase que probatória. Dilma não é investigada e paga hoje pelo erro de ter combatido a corrupção em furnas, por ter criado o Portal da Transparência, entre outras medidas que a fizeram ser a presidenta que mais combateu a corrupção no Brasil.

O sistema político brasileiro é extremamente corruptível, e esse é um dos principais problemas a serem combatidos, sendo o principal desafio após todo esse processo. Urge uma reforma política que de novos rumos ao sistema, que não coloque um governo refém de alianças com partidos que não compactuam com a mesma ideologia e o mesmo projeto de poder. O grande erro de Lula, ao assumir o poder em 2002, foi ter trazido mais tarde o PMDB para o governo. Houve sim um grande avanço de governabilidade, com projetos aprovados por essa bancada, mas hoje se paga um preço muito alto, e toda essa carga cai nas costas de Dilma Roussef. Mas tudo isso aconteceu por que o sistema político permitiu.

Foi de grande importância o fato de partidos como PP e PMDB terem desembarcado do governo. Apesar de ainda termos na nossa base aliada de governo, partidos que não tem nada em comum, foi dado um salto de qualidade enorme no governo. A venda de cargos por apoio político deve deixar de acontecer, mas tudo isso deve vir acompanhado de uma profunda reforma. Mais que isso, sem essa venda de cargos, deve-se ter um governo popular voltado para os interesses do povo, um governo de esquerda que não pratique ajustes fiscais que apenas prejudiquem o povo. A América Latina é o continente onde o pobre paga mais imposto e o rico menos. Se não pudermos chegar a equidade, devemos ter, no mínimo, uma também profunda reforma fiscal e tributária, taxando as grandes fortunas, seguindo exemplos de outros países, elevar o teto do imposto de renda, como fez a Argentina recentemente, dentre outras medidas. A máquina pública é muito cara, a carga de imposto é injusta, e sempre quem paga o pato são os mais pobres. Precisamos mudar essa realidade e difundir novas políticas, novas práticas de poder.

A concentração de renda no Brasil diminuiu muito nos últimos anos, mas isso ainda é pouco. A realidade ainda é de que muitos ganham pouco e poucos ganham muito. Um impeachment agora certamente irá alavancar esse problema, pois as práticas que são necessárias para distribuição de renda, diminuição da pobreza, combate a fome, entre outras, não serão realizadas por um partido de direita como é o PMDB e seus asseclas. 

Comentários

Postagens mais visitadas