As da semana: Síria, Brasil, fascismos e algo a mais.
Eu deveria
crer mais na humanidade. Eu deveria acreditar mais no ser humanos. Eu deveria
ter uma fé maior das pessoas. Talvez isso me ajudasse, talvez assim os meus
dias fossem melhores, mais alegres e cheios de vida. Aliás, um adendo: a vida
sabe ser traiçoeira as vezes. Ela nos prega peças que nunca imaginamos, e depois
ficamos nos perguntando: como chegamos aqui e como saímos daqui? Enfim...
prefiro continuar. Se tudo isso que eu disse logo acima fosse a realidade, se
eu tivesse motivos para acreditar que a humanidade pode andar diferentemente da
atual, eu viveria numa bolha, numa realidade totalmente diferente. Basicamente,
uma outra dimensão (estilo Stranger Things, saca?).
Eu olho para
a realidade e cada vez mais eu vejo motivos para uma desesperança enorme. Duas
dessas razões aconteceram essa semana. Uma delas me assusta pela contradição e
a outra pela brutalidade e falta de senso de humanidade. A primeira: o discurso
de Jair Bolsonaro na sociedade hebraica no Rio de Janeiro. Só tem uma coisa que
me faz crer que esse sujeito é realmente um “mito”: ele consegue proferir
discurso de ódio em no meio de judeus e sair ileso, aos gritos de “mito”
(insisto em colocar essa palavra entre aspas só para demonstrar o nojo que eu
tenho dela ultimamente). Nesta palestra ele soltou pérolas das piores que ele
já proferiu. Afrodescendente quilombola não serve nem para procriar? What? E
quem disse que todo o ser humano, para “prestar para alguma coisa”, precisa
procriar? “Eu tive quatro filhos, na quinta eu die uma fraquejada e veio uma
mulher”. Muitas coisas me perguntas surgem desta frase: como deve ser a vida de
uma filha de um cara tão misógino como Jair Bolsonaro? Será que ela se orgulha
das peripécias do pai, ou se envergonha tanto que nem vem a público (alguém já
viu ela em algum lugar?)? Outra pergunta: como é que uma mulher consegue se
submeter a ter filhos com uma criatura dessas? “Não haverá um centímetro de
terra demarcada para índio e quilombola”. Um erro gravíssimo (mais um, by the
way): negar duas vertentes de várias nações da humanidade, vertentes estas que
tanto sofreram com a ação do homem no decurso da história: índios e negros.
Quando se diz uma coisa dessas, vira-se as costas para o passado, nega-se o
presente e negligencia-se o futuro. O que seremos de nós não valorizarmos a
nossa cultura? Se mal sabermos de onde viemos, como saberemos que caminho
trilhar?
Olho com uma
preocupação e uma dor no coração enormes para pessoas que defendem esse
energúmeno. Falta respeito e caráter a ele. Respeito com negros, índios e
mulheres (todas, inclusive da família dele). Para mim, pessoas que defendem o
legado de Jair Messias Bolsonada são tão piores quanto seu ídolo. Ser conivente
com atrocidades é um dos piores defeitos dos seres humanos. Diz-se que, quanto
mais se conhece o ser humano, mais ama-se os animais irracionais, pois eles são
de uma pureza incrível. Aqui cabe outro adendo: o que os animais pensariam de
nós se pudéssemos transmitir em uma linguagem que eles entendessem aquilo que
pensamos todos os dias? Fica a pergunta. Se cachorros e gatos fossem animais
racionais, estaríamos sozinhos no mundo.
A cabeça de
um fã de uma pessoa racista como o nosso personagem (olha a bobagem: quisera eu
que ele fosse apenas um personagem) precisa ser estudada. Se tu fores homem e
defenderes ele, aí tudo bem (naquelas), pois vivemos em uma sociedade machista
e misógina mesmo, nada mais do que normal encontrar esse tipo de gente. Mas
mulheres e judeus aplaudirem o “mito”, abrindo o seu voto, é coisa de ser
levada à pesquisa. Não pode ser normal. Deve haver alguma explicação racional.
Enquanto eu não a encontro, me resta lamentar por esses seres – e ficar muito
triste também.
A segunda
razão para a perda de fé na humanidade e na falta de amor ao próximo foi o
brutal ataque químico ocorrido nessa semana na Síria. Não tive muitas
informações sobre ele, apenas vi um vídeo e li algumas reportagens, nada muito
elucidativo. Mas não consigo parar de pensar naquelas pessoas gemendo no chão
em agonia, apenas esperando pelo sopro da morte. Depois querem me convencer de
que precisamos apenas nos preocupar com o nosso umbigo, que não devemos receber
os nossos irmãos estrangeiros em nosso território, que eles não são
responsabilidade nossa? Responsabilidade realmente não é: é um dever. Eu, de
nenhuma forma, sou católico, mas fui criado em família católica e tenho algum
conhecimento de bíblia: Jesus ensinou isso? Ensinou a não amar o próximo? Acho
que foi o contrário, mas cada qual com o peso de sua cabeça no travesseiro a
noite.
Quanto a
origem desse ataque, fala-se que partiu de dentro da Síria mesmo, e aqui entro
numa área que realmente preciso estudar mais, nunca me aprofundei nesse tema da
guerra civil Síria. O responsável seria uma pessoa que, antes, Donald Trump
considerava como aliado na luta contra o Estado Islâmico (organização de origem
curda que visa criar um Estado Islâmico, como o próprio nome diz). É irmão
atacando irmão, é isso? Muitas crianças e idosos envolvidos nessa barbárie
histórica. Os EUA lançaram mísseis na região. Esperemos que os civis se salvem
dessa vez, que esse atraque tenha sido bem planejado, e que não atinja nenhum
inocente. Aliás, de preferência, que não haja mais nenhum ataque de nenhum tipo
em nenhuma parte do mundo. Por que existem tantas guerras? Qual é o problema do
ser humano que não consegue resolver as questões pacificamente sem o
envolvimento de vidas terceiras, alheias à eles?
O fascismo
gerou muitas guerras e confrontos históricos, que aniquilaram muitas
populações. Os fascismos alemão e italiano são pioneiros. Pela purificação da
raça ariana, Hitler foi muito longe. Mandou judeus, incluindo muitas crianças,
para as câmaras de gás. Outro tipo de guerra frequente no mundo, em sua maioria
no Oriente Médio, são as de cunho religioso. O já citado Estado Islâmico,
famoso EI, é responsável por diversas atrocidades na região. Aparentemente está
ligado a mais este.
O que o
fascismo pode trazer ao nosso país? Analisando a nossa situação, muitos
precedentes estão abertos. Muitos negros morrem por serem negros. Muitos gays
são espancados até a morte por serem gays. Travestis, idem. Os fascistas não
sabem conviver com a diferença, não sabem enxergar o ser humanos por trás da
cor da pele ou preferência sexual e identificação de gênero. Isso é um perigo
imenso, pois temos um pré-candidato a presidência da república que preenche
todos esses requisitos. Devemos ficar atentos as campanhas que incitarão ódio
em 2018, e não serão poucas. O alento é que esse tipo de discurso é muito
insuficiente para ganhar uma eleição. Ele não terá nenhum apoio para chegar ao
cargo de presidente, ainda mais nesse sistema político, onde é necessária uma
unidade muito forte para ganhar uma eleição. É preciso mais que um partido para
se ter governabilidade. A não ser que se mude as regras do jogo com o voto em
lista e etc. Lembrando que o candidato fascista já disse que, no momento que
assumir, ocorrerá um novo golpe militar, ou como eles mesmo chamam, uma “Revolução
Militar” para defender a democracia. Vejam só, um regime ditatorial militarista
defende a democracia. Mais contraditório que isso é dizer que gremista tem casa
própria.
Falando em
unidade, o que pode ser feito pela esquerda para se ter unidade e chegar forte
em 2018? O nome de Lula é dado como certo pelo Partido dos Trabalhadores. PDT –
se é que a sigla brizolista ainda pode ser considerada de esquerda – já disse
que vai de Ciro. PSOL vai de Chico Alencar, um dos melhores nomes da legenda.
As siglas nanicas (PSTU, PCO e derivados) sempre lançam candidato. A chance de
haver alianças, tanto na esquerda quanto na direita, é muito pequena. Todos
querem o poder. A direita, com mais adeptos em números de partido, virá muito
fragmentada: PSDB deve ir de Dória, aquele que tira leite das crianças e pinta
muro de cinza (fora o marketing). PMDB quer lançar candidato próprio, tanto que
aqui no Rio Grande do Sul, Germano Rigotto já se ofereceu para a aventura,
alicerçado no modelo Temer-Sartori-Britto. DEM quer ter candidato próprio,
provavelmente Agripino Maia. PSB provavelmente vai repetir 2014, não com os
mesmos nomes. Marina Silva, a eterna “para onde eu vou? ”, irá mais uma vez ser
candidata pela REDE. Álvaro Dias saiu do DEM recentemente e foi para o PV,
tencionando ser candidato. Enfim, uma salada sem fim. Unidade é o que menos se
verá ano que vem. Depois, logicamente surgirão as típicas negociatas. Nos resta
esperar.



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