No país da maracutaia, ganha quem mentir mais e melhor

Moramos na terra da maracutaia, onde negociatas prevalecem sob justiça, onde a enganação ao povo brasileiro prevalece sobre a verdade e onde políticos servem a si mesmos e ao capital e não servem ao povo. Essa foi a semana decisiva para que o dito acima não se tornasse apenas questão de opinião, e sim um fato, com todas as provas empíricas que se possa imaginar. 

1) Aécio Neves. Liberado pelo Superior Tribunal Federal para exercer o seu cargo de Senador após ter sido flagrado em gravação cobrando propina e ameaçando seu primo de morte. Aécio Neves, acusado de desviar verbas públicas - da saúde, enquanto governador do seu estado, Minas Gerais - para construir um aeroporto na fazenda do seu tio. Aécio Neves, que teve um helicóptero pousando na sua propriedade descarregando mais de 400kg de Cocaína. Esse mesmo Aécio Neves é hoje senador da república, com a complacência da justiça brasileira, é símbolo da fanfarronice que impera na casta política. Desde o escândalo da Caixa (ou Banco do Brasil, não me recordo), onde ele foi nomeado funcionário do banco no Rio de Janeiro, sendo que morava em Belo Horizonte, sua vida pública é perpassada de desconfianças, denúncias e casos suspeitos. Uma vida pública regada de canalhice. 

2) Luiz Inácio Lula da Silva. Condenado por um juiz que usa uma matéria da Globo como prova cabal. Lula, que de ex presidente se torna possível presidiário daqui a algum tempo. Lula, sob o qual não pesa nenhuma prova concreta. Lula, que fez o que fez pelo Brasil, pelos estudantes brasileiros, o primeiro presidente a tirar o Brasil da linha da pobreza e o primeiro presidente da nossa história a dizer que a população negra também é gente, também é o primeiro ex presidente condenado a prisão. Engraçado, não é? Essa antítese entre o "pai dos pobres" (roubando o adjetivo do falecido Vargas) e o corrupto vem bem a calhar a classe política que hoje comanda o nosso país. Esse foi o crime que Lula cometeu: deu comida, água, luz e esperança para os pobres, e isso é uma atrocidade, digno de prisão perpétua. Elevou o PIB, deu outro status a Petrobras, mas isso não interessa para "eles". Muitos falam que já passou da hora disso acontecer, que "ele sabia de tudo sim", mas o gozado é que gravação comprovando algo que ele fez de errado não aparece. Um documento atestando que ele era o dono do triplex e que a reforma foi feita em benefício dele não foi usado como prova, porque não existe. A imprensa, esperta que só ela, explora os fatos ruins ligados a figura dele. O povo, sedento de sangue e querendo ver "a justiça sendo feita" (sic), acredita e bate palmas quando um político da magnitude de um ex presidente é condenado. O povo se aliena nessa tragicomédia (parafraseando a banda paranaense Escambau - Mais Circo do que Pão). 

3) Michel Temer. O primeiro presidente em exercício denunciado por corrupção, com áudios comprovando os atos ilícitos, com gravações e provas documentais atestando a sua incapacidade de ser honesto frente a um cargo público. Michel Temer, que usa o cargo para servir a si mesmo e seus pares, bem como os interesses da classe burguesa. Michel Temer, articulador principal do golpe e de outros golpes na população brasileira, como a reforma do ensino médio, a trabalhista, a previdenciária, dentre outras. Michel Temer, o sujeito da política, enquanto o povo, mero objeto. O Golpe foi para isso ocorresse, para que os direitos, desde os fundamentais aos mais simplórios, fossem retirados de quem mais necessita dessas leis. A Instituição Jurídica desse país mal funciona, e o que dava uma garantia, hoje é motivo de medo. O futuro pertence a sorte, salve-se quem puder e que vença o melhor. O problema é que, no Brasil, assim como em qualquer outro país, o melhor geralmente é quem tem mais dinheiro. 

Esses são os três fatores que hoje fazem muita gente perder as esperanças. Como e de que maneira vamos acreditar nas nossas instituições, que antes tinham liberdade de investigação, e agora respondem para um grupo político? Será que a mobilização funciona de forma efetiva e eficaz? Já vimos alguns recuos, mas nada de concreto. O projeto privatizador está de volta, as garras passaram pelos nossos direitos e agora, com o parecer na CCJ para ser discutido, o grupo de Temer altera alguns deputados e vota contra o relatório que pedia o prosseguimento da denúncia. O fato líquido nas manchetes na semana das denúncias contra Temer era a de que ele foi o primeiro presidente em exercício na nossa história a ser denunciado por corrupção, com provas factuais, o que piora o seu caso. O que isso comprova também é que Dilma não cometeu nenhum crime, nenhum ato corruptivo, e sim agiu como os outros presidentes agiram. O relativismo, o "dois pesos, duas medidas", pegou e tem pego pesado nas costas de quem é da esquerda.  

O povo, principal interessado, não é escutado. Temer é rejeitado por mais de 90% dos brasileiros - os outros 10% estão na internet defendendo ele. Quase que, unanimemente, nós, brasileiras e brasileiros, queremos a saída dele porque não somos burros: a base de provas, nada se pode fazer. Só há um caminho: destituição, julgamento e prisão. Criminoso tem lugar reservado na cadeia. E a história, a melhor e mais honesta julgadora, se encarregará do destino de quem hoje solapa a nossa esperança. Desistir não perpassa o nosso dicionário, pois o tempo se encarregará de tudo. 

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