#88 - Quem com toga fere, com História será ferido

Luta - substantivo feminino. Esforço para superar, para vencer obstáculos ou dificuldades. Oposição firme ou violenta. Batalha, guerra. São definições do dicionário que concebem a luta como substantivo. Nós, os batalhadores e batalhadoras, que somos o sujeito dessa Luta, a concebemos como verbo. Lutar é resistir, persistir e não desistir. Lutar é despender esforços para superar, vencer, alcançar algo. Lutar é, na visão dos bons, combater o mal, eliminar o mal, trucidar o inimigo, esmerilhar o oposto.

Traição. Traição, segundo a definição jurídica no dicionário (consultado no Google), é um  crime cometido pelo cidadão que, perfidamente, pratica ato que atenta contra a segurança da pátria ou a estabilidade de suas instituições. As instituições brasileiras, por exemplo, carecem dessa estabilidade, e beiram ao status de produtores de filmes engraçados, comediantes. Só isso explicaria a atitude de uma juíza, no seu mais tresloucado juízo, que alega não concordar com uma decisão, mas vota a favor dela, pois a maioria da população concorda com essa decisão. Ora, quem deve votar de acordo com a vontade do povo é o político, e não a juíza. Juíza é paga pra julgar, político é pago pra ouvir a população.

Uma questão muito importante para relações internacionais, a dita diplomacia, fundamental para angariar recursos para diversos setores para o desenvolvimento de um país, é a credibilidade das instituições desta nação. Como fica a credibilidade de um país que tem um tribunal mais sujo que os próprios condenados? Quem fala uma insanidade como a proferida por Rosa Weber provoca um constrangimento internacional incomensurável. O respeito e a dignidade da nossa bandeira, a tão falada pelos defensores das ditaduras militares, se esvai a cada dia. Como recuperar? Óbvio que não será da noite para o dia, muito menos nessa geração, que assiste as notícias com muito desgosto. A despeito dos defensores da prisão do ex presidente Lula, que estão comemorando no dia de hoje, à esses a História dará a sua lição moralizante. Mostramos, tempos atrás, mais precisamente em 2016, que com o Golpe a situação das pessoas de baixa renda pioraria e cresceria a apreensão, o medo e a fome, inimigos brasileiros antes da posse de Luís Inácio Lula da Silva. Se estávamos certos a dois anos, o cenário em 2018 não é diferente.

Lula foi o maior presidente desse país, com seus erros e acertos. Pode ter mais errado que acertado, ao se aliar com o capital e o poder financeiros dos banqueiros, e por ter se aliado com o que há de pior na política, o MDB. Ele foi, de fato, um pai para os pobres e uma mãe para os ricos, uma versão colorida de um Getúlio Vargas menos raivoso. E podemos todas e todos discutirmos sobre todas as atrocidades que Lula cometeu no poder, e também debateremos somos os benefícios que este homem trouxe para a sua população: menos fome, mais pobres nas faculdades, mais pobres com poder de compra. Atitudes populistas, sim, mas como enfrentar 500 anos de sistema opressor, vilipendiador dos direitos básicos da humanidade e do cidadão e cidadã brasileiros, se não com acordos no começo do governo? Como governar, no presidencialismo de coalizão, sem essas alianças? Ah, mas então o sistema deve mudar, o que é correto, mas não se muda uma estrutura da noite para o dia. A política é complexa demais para usufruirmos de uma varinha de condão e querer mudar radicalmente a sua práxis, o seu jeito, as suas manias. Você, que está acostumado ou acostumada a dormir em uma cama quentinha, embaixo de um teto confortável, gostaria de mudar radicalmente e morar numa barraca? Ruim não seria, mas a adaptação seria horrível. Ou mudar de clima totalmente, para não divagarmos muito. Saia do Sul e vá para o Nordeste. É uma mudança homérica de clima e temperatura. E aí, topa? Não funciona assim, infelizmente. Não se faz socialismo sem adaptação, e não se faz socialismo com a manipulação midiática burguesa da Rede Globo, por exemplo. Como enfrentar esses barões e baronesas da burguesia brasileira? Com muita luta. Eles são os nossos inimigos, eles devem ser eliminados.

Não falo eliminados para se criar uma guerrilha contra todo poder opressor, e sim alimentar as diferentes mídias para que possamos, com o advento da inteligência das pessoas em pesquisar diferentes fontes, conhecermos novos caminhos para "educarmos" a população. Não doutriná-la, e sim demonstrar a importância da política para o desenvolvimento de uma nação. Porque sem a educação política, um clima de guerra se instaura a partir da prisão de Lula. Como o próprio disse, muitos caminharão pelas pernas dele, muitos olharão por ele e falarão por ele, e andarão por ele pelo Brasil, para conversar com o povo sobre uma nova maneira de fazer política, porque sim, o PT errou e precisa mudar a sua práxis política. Mas se enganam que com a derrubada de Dilma, a conclusão do Golpe com o fim dos direitos trabalhistas e a prisão de Lula, nós vamos nos calar. Muitos disseram que estávamos mortos, que o PT não mais existia, e que nunca mais nos ergueríamos dessa tormenta. Pois bem, essa tormenta ainda se encontra em seu ápice. Mas se é guerra que eles querem, é guerra que terão, mas é a guerra no bom sentido: vamos para as ruas, ocupar os espaços, formar novos líderes, fortalecer a democracia com uma nova Constituinte e com a regulação dos meios de comunicação, pois a justiça precisa ser feita. A justiça é a prioridade número um, no que diz respeito a sua mudança. Não podemos mais aceitar tribunais de exceção e com decisões parciais e escusas.

Torço para que algum dia apareça uma conta do Lula na Suíça com 6 milhões de reais. Torço para que apareça um helicóptero num sítio pertencente a ele com quilos de cocaína. Torço para que todos os crimes imputados contra o ex presidente sejam procedentes, que as provas apareçam e que possamos finalmente dizer que se tem uma prova contra o Lula. Mas isso não acontecerá, porque essas provas não existem. Torço para que apareçam essas provas para que se acabe com essa palhaçada, para que possamos dormir tranquilos, pois vivemos em um país idôneo e com uma justiça imparcial. Mas sabemos que esse dia dificilmente será visto pela minha geração, quem dirá num futuro não muito distante.

No exato momento em que escrevo essas tristes linhas, de constatação e consternação, ouço foguetórios no meu bairro, a tão querida Morada do Vale, em Gravataí. É neste exato momento em que Lula se entregou e o sonho de milhões de brasileiros acabou. É triste ver esses pobres deste bairro - aqui não tem gente chique, é tudo chinelo mesmo - comemorar a prisão de um cara que botou muita comida na mesa dessa gente. Quantos diplomados graças ao ProUni estão soltando esses foguetes? Quantos desses estavam batendo panela para Dilma na época do Golpe? Triste, muito triste. Hoje, um sonho se realiza e outro se abala. Um, o dos grandes empresários - muito dos quais mamaram nas tetas dos governos petistas, por erro de execução política do partido - o de ver o líder da população pobre na cadeia, e o outro, o dos brasileiros que muito ganharam com os governos petistas, que ganharam diploma, que ganharam comida, que ganharam dignidade, o sonho desse povo que era ver Lula sentado na cadeira de presidente da República novamente em 2019, praticamente se acaba. A hora da resistência e de pensar um cenário diferente para as eleições de Outubro é agora. Devemos lutar contra, primeiro, a criminalização do Partido dos Trabalhadores, do Partido Comunista do Brasil, do Partido Socialismo e Liberdade, do Partido Comunista Brasileiro, enfim, de todos os partidos de esquerda. Os partidos de esquerda congruentes com as ideologias da direita, como o PDT, que nos dias atuais abarca muitos políticos que fariam Brizola esbravejar de raiva (eu só consigo me lembrar daquele debate em que ele diz FILHOOOOOTES DA DITURA!!!), precisa definir um rumo, um lado, uma ideologia. É Partido Democrático Trabalhista? Então seja democrático e trabalhista, principalmente o último, legado deixado por Leonel que não é respeitado. Esse é o momento de unir forças, e de provarmos que aprendemos a lição sobre com quem devemos nos aliar. Quem com ferro fere, com ferro será ferido. Nos ferimos em 2016 com a aliança TEMERária entre PMDB e PT, e as cicatrizes dessa ferida permanecem na nossa pele.

Uma nova aurora nascerá e precisamos estar preparados e preparadas, para que o futuro não seja tão árduo quanto o que se apresenta. Que os nossos dias até agora tenham sido os piores dias de nossas vidas, pois precisamos, e muito, de dias melhores. Avante, companheirada! 

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