#97 - A falta de ética da família Bolsonaro e a questão das armas
A seletividade das opiniões e da justiça não nos espanta nem um pouco. O que é de se admirar é a cara de pau de quem disse, na época das eleições, que era contra o foro privilegiado, que a lei é para todos, mas agora pede para o STF arquivar o caso do amiguinho Queiroz para não ser prejudicado. E o que o presidente diz? Nada, se cala.
Diante do óbvio, é melhor nem abrir a boca para falar asneiras. A família Bolsonaro é uma fabriqueta de coisas sem noção, tanto de atitudes quanto de palavras. Se diziam tão certinhos, tão dentro da Lei, tão devotos da justiça e contra a corrupção, mas na primeira oportunidade, se beneficiam da posição de políticos eleitos, utilizam suas influências para beneficiar amigos, nomeá-los em cargos importantes, nomear filho de vice-presidente em cargo que triplica o valor de salário do mesmo. Tudo porque, meritocraticamente, nada de errado foi feito. Tenha dó.
A máscara já caiu, há muito tempo. Não existe mais óleo de peroba no estoque do Palácio do Planalto. Jair Bolsonaro começou o governo e, em 17 dias, atropelou diversos artigos da Constituição - estou preparando um artigo sobre isso, mas para dar um exemplo: seu decreto sobre a posse de armas é ilegal. Sua atitude com relação aos índios e quilombolas, não demarcando terras e suspendendo a reforma agrária, fere de morte incisos do Artigo quinto da nossa CF.
Espanta que há quem ainda defenda o indefensível, dizendo que índio deve sim integrar-se a nossa sociedade, que realmente quilombola não presta, que o salário mínimo seria um absurdo de tão alto com R$ 1.006,00, que arma diminuí a criminalidade... olha, devemos botar os pingos nos is, os traços nos tês, e explicar bem didaticamente como realmente funciona.
Pegue agora a sua internet, o seu navegador, aonde estiver (computador, notebook, celular, o que seja) e vamos fazer um experimento. Abra esse navegador > digite google.com > pesquise índices de criminalidade nos EUA > voilá. Nos Estados Unidos, o direito de se ter uma arma em casa é garantido pela Constituição do Tio Sam. E mesmo assim, a violência não diminuí, aliás, acontece exatamente o oposto: o país da América do Norte é recordista mundial em mortes por arma de fogo. Fora isso, outros índices de criminalidade nos EUA não abaixam com as armas, é a mesma relação de oposição: o tio Google que disse, não foi o Henrique. O acesso as armas não é garantia de defesa ou de segurança.
Assim como a pena de morte e a prisão perpétua - também considerada legal nos Estados Unidos - não diminuem casos de assassinatos e estupros, ou de assassinatos seguidos de estupros. A relação entre o aumento do número de presos por estes crimes e condenados a essas sentenças não é inversamente proporcional, é igualmente proporcional. A solução deveria ser outra. Não é simples, mas o sistema carcerário deveria recuperar o preso: dentro do presídio, deveriam haver escolas, psicólogos preparados para lidar com as diversas situações, ala de psiquiatria para os casos mais graves, oficinas de diversas coisas (música, teatro, leitura, etc), coisas que fizessem com que o preso realmente sentisse que, lá fora, a vida pode lhe dar uma segunda chance. Lógico, vão dizer que eu sou lunático, defensor de bandido, comunista, socialista, petista (o que não é uma mentira), vagabundo e todo repertório bolsonarista, mas é assim que deveria ser. O que diminuí a criminalidade em países continentais, como o Brasil, é assistência social, e não mais armas e maiores punições. É cientificamente comprovado: quanto maiores forem a gravidade e o tempo das punições, mais difícil será de controlar a criminalidade.
A solução para a família Bolsonaro é ela ser dizimada a tiros? Não. A solução é leitura e conhecimento de nossa história. Mas não podemos ter tudo que queremos.


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