Marisa Letícia; Ódio as classes oprimidas

Pouco se ouve falar e pouco se sabe da vida dos cônjuges dos presidentes no Brasil. Algumas (como só existiram mulheres, haja vista que Dilma já não era mais casada quando foi ocupou o cargo) ganham mais destaque, como a Sra. Fora Temer, a "bela, recatada e do lar". Ganha destaque também quem é alvo de críticas e acusações infundadas, como a esposa de Lula, Marisa Letícia, que sofreu um AVC essa semana. Excetuando o fato recente, Marisa foi acusada juntamente á Lula de ser proprietária do fatídico tríplex no Guarujá/RJ - fato desmascarado também essa semana.

Mas Henrique, aonde tu queres chegar? Calma.

Foto: UOL.

É difícil ter calma numa hora dessas, e em tempos difíceis como esses, mas é preciso. Após as manchetes virem ao conhecimento do público, nos venho aos holofotes a enxurrada de desejos dos "cidadãos de bem" desejando a morte da ex primeira dama. Foge da minha alçada tentar entender o tamanho de tanto ódio a uma pessoa que nunca fez muita diferença na vida de ninguém. Eu mesmo, não tenho nada a favor nem contra, mas quando se trata do desejo de ver uma pessoa morta pelo simples fato de ela ser esposa de uma pessoa que é desafeto de uma parte da população (80% manipulada pela mídia), é de chorar. 

A manipulação da mídia chega a tal ponto que produz essas aberrações. E que futuro nos reserva um mundo onde existem pessoas que veneram Bolsonaros, Felicianos e Cunhas? Um mundo onde habitam pessoas que fazem parte do Movimento Brasil Livre, que defendam o Sartori e que jogam para o Tarso toda a responsabilidade de o governo gaúcho estar quebrado pode ir pra frente? Une-se a isso o pandemônio de ver esses cidadãos do mal desejarem a morte de qualquer pessoa, seja ela quem for. Quando eu sindo ódio de algo ou alguém, eu sempre me pergunto: vale a pena alimentar esse sentimento? 

Falta para as pessoas cultivar mais amor e menos ódio. O mesmo vale para o caso das rebeliões. O problema mundial mais grave é não enxergar pessoas através das coisas, o contexto que as levou até aquele ponto e não dar uma chance de a pessoa ao menos se defender das atrocidades proferidas na internet. Muitos dos presos mortos nas cadeias nessas últimas semanas foram sumariamente jogados nas celas sem poderem se defender - e acredito que tenham muitos inocentes nesse grupo. O sistema carcerário brasileiro, que já não comporta mais uma agulha, acaba jogando nas celas centenas de seres humanos (acima de tudo), que por sua vez não tem outra alternativa a não ser aliciar-se ao crime organizado para ter chance de sobrevivência. Ou isso, ou acaba acontecendo o que aconteceu: chacinas, muito sangue, pessoas mortas e o estado brasileiro continuando na sua rotineira inoperância. Alguém já viu alguma dessas chacinas causarem maior segurança nos locais onde elas ocorrem? Será que a população de Natal se sente mais segura com tantos presos a menos? O índice de mortalidade e assalto já diminuiu por lá? O episódio Carandiru adiantou alguma coisa ou foi só para alijar cento e poucas vidas?

Violência se combate com educação, de baixo pra cima, começando pelas favelas e periferias e conscientizando cada vez mais as pessoas das classes econômicas superiores. Entendam: ninguém chega ao mundo do crime por acaso. Ninguém escolhe essa vida ter sido influenciado por algum fator externo.

Falta amor e sobra ódio nesse mundo. E isso é uma mer..

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