Medo de avião

Muitos fatos mexeram com o mundo político desde o meu último post. Destaco dois que aconteceram mais frequentemente e o mais recente, respectivamente. Primeiro...

1 - As rebeliões nos presídios:



As principais rebeliões aconteceram no Rio Grande do Norte, não sei ao certo se em mais de um presídio ou no mesmo. Vejo muitas pessoas apontando como solução que deixem que essas pessoas continuem se matando, que o Estado não tem que se meter, e que quanto mais morrerem melhor. Se violência adiantasse, a muito tempo o problema da segurança pública teria se resolvido. Carandiru, por exemplo, onde mais de 100 presos morreram - não em uma rebelião - demonstra o fato de que violência não se combate com violência, e sim com educação e reeducação, em um sistema que funcione, onde o preso trabalhe pelo seu sustento, onde frequente um ensino, ainda que dentro dos presídios, onde aprenda o verdadeiro valor do suor que cada trabalhador honesto tem todos os dias, ao acordar cedo do dia para laborar.

É obrigação do estado, como já falei diversas vezes por aqui e em rodas de conversa, receber o "bandido" e devolver um "cidadão", todos, sem exceção. Existem casos em que o indivíduo realmente não tem mais volta. Para isso, que se ache outra solução. Talvez uma prisão perpétua, não sei. Contudo, para aquele preso que está na cadeia por que assaltou, apenas para citar um exemplo, esse deve e pode ser recuperado pelo estado.

Uma família desestruturada e sem dinheiro, com pais que não dão atenção para os filhos, são as maiores geradores de seres como estes. Une-se a isso um Estado que não consegue educar seus habitantes, que não consegue dar a muitas pessoas uma saúde de qualidade, uma escola em tempo integral, saneamento básico nas pequenas cidades, e se tem um prato cheio para a criminalidade. Ninguém aqui ta defendendo "vagabundo" (preciso me aprofundar no conceito dessa palavra para um próximo artigo), apenas tentando entender o contexto social que levou esses cidadãos a optarem por este caminho. Dizer que isto é uma questão de escolha simples, entre o caminho da escola e o caminho da cadeia, como vi em uma charge esses dias, é muita falta de discernimento da realidade e do conceito histórico/social. Há que se analisar o meio que essa pessoa vive, se é tranquilo ou conturbado, se é em lugar que possui um tráfico muito forte, ou seja, um ambiente que propicia que quem esteja crescendo nele se inspirar nele. Crianças tem o costume de repetir comportamentos que vêem na sociedade, principalmente dos pais, e se os pais são como àqueles que eu mencionei acima, aí já viu né... Bom, apenas uma opinião.

2 - O medo de avião:



Morreu hoje a tarde, em Paraty, em um suposto acidente de avião, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavazcki, que do auto de seus 68 anos, a dois de se aposentar, estava a frente de um dos escândalos de corrupção mais importantes da nossa história contemporânea. Teori estava para homologar as maiores delações do processo, que certamente iriam mexer com o alto escalão do governo federal. Conforme dito por Jucá em uma conversa grampeada, Teori era uma pessoa séria, fechada, que não se relacionava com muitas pessoas, mas que certamente tinha muitos inimigos. A prova foi o que aconteceu hoje a tarde, quando interrompendo seu período de férias, ele se dirigiria a Brasília para dar os despachos das delações. Tudo muito estranho, e ainda no campo da subjetividade, mas nada me tira da cabeça que isso foi armado. 

E quem o nomeou para o cargo? Uma pessoa de reputação ilibada, que sobre ela citação à Lava Jato foi feita: Dilma Roussef - que se não foi a melhor, foi a chefe de estado mais honesta que o Brasil já teve. E quem irá nomear o novo relator do escândalo? Michel Temer, citado 47 vezes na Lava Jato. Nada é por acaso, abiguinhos. Não interessa ao governo atual que se mantivesse como relator uma pessoa que estava botando o dedo na ferida. A gravação de Romero Jucá fala por si só.

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