Stop the Palha Assada
Tem um trecho de uma música do
Los Hermanos que diz assim: “Esse é só o começo do fim das
nossas vidas…”. Eu espero que o dia de ontem tenha sido só o
começo do fim do Governo Temer. Mas não pode ser um fim qualquer, e
sim um novo começo. A derrubada de Temer não deve ser pura e
simples, ela deve revolucionar o processo democrático, com eleições
diretas ou gerais, pela retomada do crescimento e das políticas
públicas que beneficiem a classe trabalhadora e as pessoas mais
pobres.
Quando eu fiquei sabendo da
notícia de que haveria um áudio com o Temer cobrando propina para
silenciar Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados que
está preso, eu não acreditei. Eu me emocionei primeiro, pra depois
entrar na realidade. Isso pouco representará se o judiciário não
agir. E pra falar a verdade, eu não sei o que o judiciário poderia
fazer neste caso. O correto seria a destituição de Temer e a
convocação de eleições diretas. Mas isso resolveria o problema?
Lógico que não. Amenizaria, é verdade, mas não é a solução
total. Amenizaria, pois o povo que vai, no dia de hoje, as ruas,
clama por um governo representativo, que mereça governar pelo voto.
Com tudo, de nada adianta eleger um presidente democraticamente hoje,
se o Congresso continuar o mesmo. E é aí que entra o ponto chave da
questão: as eleições gerais são importantes para eleger um
governo e um parlamento que execute um projeto no qual o povo se
identifique. E é importante que esse mandatário tenha legitimidade
e maioria no Congresso, para poder levar adiante sua pauta. A maioria
não deve lhe garantir tranquilidade no governo, no sentido de poder
fazer o que quiser. Aliás, a oposição deve ser construtiva,
contribuindo para que o debate seja propositivo na criação de
ideias que visem o bem do povo.
A melhor maneira de Michel Temer
concluir o seu governo seria com a renúncia. Melhor para ele, óbvio,
porque eleições indiretas seriam convocadas. O STF pode convocar
eleições diretas, isso é judicialmente possível, porque não se
trataria de um processo de impeachment, e sim de uma renúncia, que
pode trazer outras consequências, mas eu me nego a acreditar que
esse tribunal faria isso. O futuro é muito incerto. Acho provável
que Temer continue, que as reformas golpistas continuem e que a nossa
vida siga piorando. O único remédio – porque ainda resta
esperança – é ocupar as ruas e seguir na luta.
O Golpe, com G maiúsculo sim,
está devidamente comprovado. Se alguém ainda duvidava, o último
suspiro de suspeita se esvaiu. Agora resta a certeza, os fatos são
inegáveis e irrevogáveis. O projeto "deles" sempre foi estancar a sangria. Temer nunca teve legitimidade. Ele era o
vice da Dilma correto? Sim, parabéns, você acertou uma pelo menos.
Mas quando o vice eleito nas costas de um programa de governo que
retirou 42 milhões de pessoas da linha da pobreza, iniciou a
transposição do Rio São Francisco, colocou pobre a estudar em
universidades, deu direitos trabalhistas a empregadas domésticas,
dentre outras conquistas, ao ser confirmado o impeachment, lança um
programa de governo intitulado Ponte Para o Futuro – mais conhecido
como Pinguela para o Passado – ele já se desvincula desse programa
e perde toda a legitimidade que poderia ter. A isso, eu chamo de
canalhice pura, de malvadeza, de covardia e de machismo. A cara de pau de Michel
Temer, que disse que nem com clamor popular ele se candidatará em
2018, não cabe em si. Ele deve ter esquecido que está inelegível,
e que não pode ser candidato nem a vereador em 2020. Sua biografia
está enterrada nos lugares mais obscuros do lixo da história. As
pessoas que antes defendiam ele – nunca conheci uma pessoalmente,
deve ser tudo fake – sumiram. Ora, até os fakes andam sumindo
ultimamente.
Isso está me lembrando,
guardadas as devidas proporções (por favor, não quero comparar as
duas situações) o Campeonato Brasileiro de 2005, onde o Sport Club
Internacional foi declarado campeão de fato e de direito. Pelo
ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib. Nós, colorados,
ficamos tão indignados, que a nossa raiva transbordava aos olhos.
Mas nada fizemos frente ao corporativismo do qual os times de fora do
eixo Rio-São Paulo são vítimas. Tudo que vem de Brasília, hoje,
cheira a enxofre, parafraseando o Deputado Federal Gláuber Braga
(PSOL-RJ), quando este se referiu ao então presidente da Câmara
Eduardo Cunha. O futuro, como disse, é muito incerto. Mais uma vez,
é preciso aguardar o desenrolar dos fatos.



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