#99 - Marielle Francisco da Silva, presente!
Essa vai para os lambedores de bota de milico, saudosos da ditadura de sangue e de torturas, que adoram perguntar “Quem mandou matar Jair Bolsonaro?”. Pois bem. Acho errado – porque não sou babaca – atentar contra a vida de qualquer pessoa. QUALQUER PESSOA. Mas quando se compara uma situação com outra, é inevitável que utilizemos pesos e medidas. É natural dos seres humanos, e quem começou não fomos nós.
Seguidamente acompanho o Twitter da brilhante escritora e jornalista Eliane Brum, em que ela conta, diariamente, os dias que se sucederam à morte de Marielle Franco, ex-vereadora do Rio de Janeiro, brutalmente assassinada em 14/03/2018. Em absolutamente todas as postagens, alguns bolsonaricos fazem a famigerada pergunta, provando do próprio veneno, defendendo o bandido de estimação e atual presidente da republiqueta.
Querem comparar? Então comparemos.
Marielle Franco dirigiu-se à Casa das Pretas, para um debate sobre feminismo com jovens mulheres negras, sendo ela a mediadora do referido debate. Entrou na Casa por volta das 19 horas, saindo as 21, quando, minutos depois, teve o rosto desfigurado por quatro tiros, sendo que outros disparos mataram o motorista, Anderson Gomes. O crime de Marielle: combater as milícias e denunciar os abusos dos policiais na intervenção militar federal, deflagrada por Temer, que mais constrangeu internacionalmente o país do que combateu a criminalidade. Marielle era uma legítima vereadora do povo. Seu caso ainda não foi solucionado: o assassino está preso, mas o mandante ainda não teve sua identidade desmascarada. Sabe-se que o assassino mora no mesmo condomínio que Jair Bolsonaro, e que o mesmo foi sogro de um dos filhos do presidente. Os dois se conheciam (Bolsonaro e assassino). A relação está aí. É coincidência? Pode ser. Acredito que não.
Jair Bolsonaro estava em ato de campanha para o primeiro turno para o cargo mais importante da nossa nação, o de presidente da república. No dia 6 de Setembro de 2018, teria recebido uma facada – ainda estamos procurando o ferimento e o sangue – no abdômen, tendo essa facada sido desferida por Adélio Bispo, que após investigação, confirmou-se que agiu sozinho, ou seja, ele fora o próprio mandante do crime, que é, sob todos os aspectos, execrável. Vocês ainda querem, depois de toda investigação do Ministério Público e da Polícia Federal, comparar esses dois crimes, sendo que uma tentativa foi concluída e a outra não?
Jamais compare Marielle Franco a qualquer dos Bolsonaro. Marielle lutava pelas minorias e sofria com elas. Ela era mulher, mas como se não bastasse, era mulher negra da periferia, e ainda por cima LGBT. Enfrentava os seus inimigos sabe como? Com um sorriso. Sempre aquele sorriso. Marielle não nos deixou, ela seguirá viva até que esqueçamos dela. Uma pessoa só morre, como diz Mário Sérgio Cortella, quando sua lembrança se esvai ou deixa de existir. Quando não se há mais lembrança de algo ou alguém, aquilo ou aquela pessoa terá, de fato, partido. Enquanto isso, Marielle Franco seguirá sorrindo para nós, e seguirá plantando suas sementes. Nos ilumine, Marielle. Nesse momento, precisamos de ti. Marielle Francisco da Silva, presente!



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