Dória e a desconstrução da Cultura na cidade de São Paulo
Muitas pessoas acham que cultura no Brasil serve apenas a artistas "vagabundos e maconheiros" (sic), e desconhecem a importância dela para a construção do cidadão "de bem", que essas mesmas pessoas insistem em idealizar - a questão do que é cidadão de bem fica para uma próxima oportunidade. Essas mesmas pessoas que ignoram a importância da cultura na sociedade, são, provavelmente, as mesmas que acreditam numa política de Estado mínimo, ou quanto menor o Estado, mas eficiente ele seria. Isso é uma questão de opinião e debate, mas não podemos negar que o Estado deve intervir em algumas coisas importantes, como a educação, ainda mais em um país como o nosso, tão rico e ainda assim tão vilipendiado.
O prefeito de São Paulo, o mega empresário João Dória Júnior, já provou em outras situações que não a que eu vou falar agora, que é uma dessas pessoas que acredita nessa política de redução das funções do Estado. Suas diretrizes vão de encontro as políticas neoliberais para um Estado que funcione e seja eficiente. Cultura, para ele, não deve ser prioridade, sendo uma coisa desnecessária e até supérflua. Existe uma lei na cidade de São Paulo (12.224/2010) que prevê a criação de bibliotecas em todas as instituições educacionais públicas e privadas até 2020. Dória ignora essa lei, fechando os espaços destinados, nessas escolas, a criação das bibliotecas, para a criação de novas salas de aula. A medida atinge principalmente escolas de ensino infantil, onde já foram fechadas 33 brinquedotecas.
Algo de muito grave acontece quando ignoramos a importância do livro na educação infantil. Muitas vezes esse pode ser o motivo de se criarem adolescentes para o crime organizado, que ao invés de estarem em uma biblioteca nos finais de semana - coisa que a lei também permite e que está sendo negligenciada pela atual administração - estão nas ruas, sabe-se lá o que fazendo. É claro que aqui entra a educação que os pais lhes passam, mas é muito mais seguro, em uma sociedade tão confusa e mutável, que crianças tenham acesso a leitura e outros tipos de cultura aos sábados e domingos, do que acesso a rua.
A cultura no Brasil, em outros tempos, já fora ignorada. Fomos governados, durante a Ditadura Militar, por pessoas que adotavam a mesma linha de Dória com relação a ela. Que Brasil que queremos para a futura geração? O Brasil dos livros, da educação e da cultura ou o Brasil que negligencie ela e apoia medidas de desconstrução da mesma? Quantos livros seriam necessários para salvar as pessoas da Cracolândia? Talvez muitos, mas com um custo humano e financeiro muito menor do que o que se tem hoje. A educação e a cultura como um todo devem ser a base de uma sociedade e de uma vida melhor. O livro é mágico, pois com ele, todo investimento em segurança se torna desnecessário. Se a cultura entrasse na vida das pessoas, ao invés da violência e do ódio da sociedade brasileira, que prefere tatuar na testa de um suspeito de roubar uma bicicleta que ele supostamente seria ladrão e vacilão, ao invés de ressocializar o cidadão, o Estado não precisaria ser tão grande.
Referência:
http://www.redebrasilatual.com.br/educacao/2017/06/doria-ignora-plano-municipal-do-livro-e-restringe-acesso-a-leitura-em-sao-paulo



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