Quem vai acreditar na chapa PSDB/PMDB?

A notícia que corre no Planalto no dia de hoje, segundo o site G1, é de que Michel Temer está negociando para que o PSDB não deixe a base aliada do governo, o que seria uma tragédia para os golpistas. Geraldo Alckmin já estaria trabalhando para que o seu partido em São Paulo mantenha o apoio as reformas prejudiciais a classe trabalhadora. A principal oferta de Temer seria o apoio do partido ao candidato tucano às eleições presidenciais de 2018 - não se sabe se será o próprio Alckmin ou o prefake (créditos ao site Conversa Afiada, que inventou essa expressão) Dória, da cidade de São Paulo. Outra oferta que estaria em jogo seria uma articulação para que Aécio Neves seja absolvido no Conselho de Ética.

Todos nós sabemos os interesses dos tucanos por trás desse desembarque da base aliada. Parece que se deram conta de que Temer realmente é culpado das acusações e que os escândalos deixam o presidente fajuto em uma saia justa (não que o próprio PSDB não o seja). Não querem ter a sua "honra" atrelada a um partido mais sujo do que pau de galinheiro. Acontece que o próprio PSDB é tão sujo quanto o PMDB: recentemente, Aécio Neves foi afastado do cargo por causa de uma gravação onde o senador aparece cobrando propina de 2 Milhões de Reais. A pergunta é: quem vai acreditar em uma chapa formada por esses dois partidos? Qual é a mudança que o PSDB pode oferecer com o PMDB apoiando-o? É a jogada do desespero. Nenhum nome da sigla que ocupa atualmente o poder tem força suficiente para entrar no Palácio do Planalto pelo voto. E dificilmente o PSDB terá.

Se não destruírem, mais do que estão tentando fazer, a imagem de Lula, a eleição do ano que vem está praticamente definida. João Dória parece ser o único nome a fazer frente, com Bolsonaro correndo por fora. Ter Bolsonaro como candidato pode trazer benefícios e malefícios, e os benefícios são vários. Apesar dos discursos de ódio que certamente serão proferidos nos debates, ele vai aprender que debater com Ciro Gomes, Lula, e até os outros candidatos, que não são loucos de apoiá-lo, não é tão fácil. Curioso para ver um debate sobre economia, sobre educação, e outros assuntos tão caros a população. Outro benefício, e esse é o mais esperado, é que, em perdendo a eleição, serão ao menos 4 anos sem ele na Câmara, o que certamente é uma vantagem das grandes. 

Para as próximas eleições, chamará atenção o número de candidatos. Muitos partidos prometem lançar candidatura própria: REDE, PSDB, PV, DEM... esses partidos já manifestaram interesse em lançar uma candidatura no mínimo única, como cabeça de chapa. A fragmentação, tanto da direita quanto da esquerda, com Ciro, Lula e Chico Alencar, pode abrir espaço para esses candidatos aventureiros, os anti-políticos, imagem de personalidade política que já não deu certo no passado, vide Collor de Melo. 

Espero que o meu partido, o PT, tenha aprendido a lição, não faça mais aliança com partidos desnecessários e que, ao longo de sua história, só prejudicaram o Brasil. O PT precisa alinhar as suas forças ao lado do povo, das comunidades, dos povos mais carentes, buscando propor políticas públicas efetivas, nas áreas mais necessárias: saúde, educação, saneamento básico, combate aos preconceitos, direitos humanos, direitos das mulheres, segurança, descriminalização do aborto e das drogas, etc. São essas as diretrizes que vão fazer a sociedade caminhar para frente. 

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