A relação entre Harry Potter e o mundo real
Muitos podem pensar que a trama infanto-juvenil em nada pode acrescentar para um reflexão mais aprofundada sobre as coisas que acontecem no mundo, mas vejo algumas semelhanças muito escancaradas. A escravidão, a manipulação da imprensa, as ditaduras militares, as acusações infundadas e sem provas de Ministérios contra pessoas (provavelmente) inocentes, enfim. Sobre vários quesitos podemos devanear, e me atenho a alguns deles.
A Escravidão do mundo real, principalmente no que diz respeito a exploração da população negra ao longos dos tempos, e que persiste até hoje, é bem representada pela escravidão dos elfos domésticos na história contada por J.K. Rowling. Os elfos são seres que, no começo de sua aparição - entre o segundo e o quarto volume da série - não possuem discernimento suficiente do que significa a liberdade, que não são obrigados a servir a um amo a vida toda e que a exploração é maléfica para eles. Acredito que grande parte da população negra - não posso afirmar categoricamente - tinha noção do que era liberdade e possuíam o desejo de ser verem livres, porém, desde a sua concepção histórica, com o começo da exploração europeia no continente africano, não foram acostumados com ela. A escravidão, a servidão a uma família passava de geração para geração. As mães negras, em grande parte cozinheiras, davam origens a filhos que já nasciam escravizados. Em Harry Potter e a Ordem da Fênix tomamos conhecimento da história de Winky, uma elfa que teve a sua mãe e a sua avó escravizadas pela mesma família. Importante ressaltar que os elfos, em sua maioria, "gostam" dessa escravidão, eles aparentam felicidade e orgulho a falar de sua família - apesar de toda mobilização de um dos elfos, Dobby, e Hermione, na conscientização para com os outros elfos de que eles merecem ser livres - e não considero que esse seja O MESMO sentimento da população negra, mesmo anos atrás.
Se Ranieri Mazzilli, Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e João Figueiredo fossem personagens de Harry Potter, certamente seriam personificados na figura de Dolores Umbridge, a professora/inquisidora que, na altura do quinto volume da história, é enviada pelo Ministério da Magia para investigar o exercício da profissão dos professores de Hogwarts, imputar novas regras para alinha-las com as pretensões do Ministério, controlar a influência de Alvo Dumbledore sobre seus estudantes e ainda ter poderes para sobrepujar-se a autoridade do diretor da escola. Umbridge, bem como nossos "queridos" ditadores, governava por decretos, impedindo pessoas de se reunirem em associações e até times do fatídico Quadribol, dando a si mesma poderes acima dos diretores das casas para punir determinados alunos, entre outros absurdos. Qualquer semelhança não é mera coincidência: os presidentes brasileiros da época da ditadura governavam por atos institucionais, e por eles nomeavam governadores e prefeitos das capitais dos estados de suas confianças, fechavam partidos, impediam organizações estudantis de se reunirem e imputavam todo aparato repressor na sociedade. Exatamente nos mesmos modos de Umbridge, Fudge e cia. Pensar de outra forma, ter outra opinião? Era proibido.
Harry Potter, é acusado diversas vezes, em diferentes volumes da história, de coisas que nunca fez. Usar o feitiço da levitação, usar o feitiço do patrono para afugentar dementadores (a acusação, no caso, era a de que ele inventara a ocasião para se exibir) e acusado também de mentir sobre o retorno de Lord Voldemort, são alguns dos exemplos. Na vida real, acusações sem provas é o que mais se vê. Lula, por exemplo, que até pode ser culpado dos atos que lhe acusam, não tem nenhum desses atos comprovados contra si. Espero que chegue o dia que Lula consiga provar a sua inocência - que já é provada, pela falta de provas - como Harry Potter fez quando conseguiu provar que Lord Voldemort voltara, em pleno Ministério da Magia.
O Profeta Diário, um veículo de comunicação atrelado ao Ministério da Magia, é a Globo da trama. Notícias mentirosas e tendenciosas sobre a personalidade de Alvo Dumbledore e Harry Potter, bem como insinuações sobre o relacionamento Harry-Hermione, que nunca passou da mais sincera amizade, são típicas de imprensas que se utilizam do seu poderoso alcance para manipular e influenciar opiniões.
Poderia citar outros pontos, como a relação entre a Brigada Inquisitorial e o MBL (não é MUITO parecido, mas me lembrou no momento que eu reli, pela 34654764ª vez), mas acredito que está bem explicado. Mais uma vez, a vida imita a arte, ou a arte imita a vida, o que tem acontecido frequentemente.
Se Ranieri Mazzilli, Castelo Branco, Costa e Silva, Médici, Geisel e João Figueiredo fossem personagens de Harry Potter, certamente seriam personificados na figura de Dolores Umbridge, a professora/inquisidora que, na altura do quinto volume da história, é enviada pelo Ministério da Magia para investigar o exercício da profissão dos professores de Hogwarts, imputar novas regras para alinha-las com as pretensões do Ministério, controlar a influência de Alvo Dumbledore sobre seus estudantes e ainda ter poderes para sobrepujar-se a autoridade do diretor da escola. Umbridge, bem como nossos "queridos" ditadores, governava por decretos, impedindo pessoas de se reunirem em associações e até times do fatídico Quadribol, dando a si mesma poderes acima dos diretores das casas para punir determinados alunos, entre outros absurdos. Qualquer semelhança não é mera coincidência: os presidentes brasileiros da época da ditadura governavam por atos institucionais, e por eles nomeavam governadores e prefeitos das capitais dos estados de suas confianças, fechavam partidos, impediam organizações estudantis de se reunirem e imputavam todo aparato repressor na sociedade. Exatamente nos mesmos modos de Umbridge, Fudge e cia. Pensar de outra forma, ter outra opinião? Era proibido.
Harry Potter, é acusado diversas vezes, em diferentes volumes da história, de coisas que nunca fez. Usar o feitiço da levitação, usar o feitiço do patrono para afugentar dementadores (a acusação, no caso, era a de que ele inventara a ocasião para se exibir) e acusado também de mentir sobre o retorno de Lord Voldemort, são alguns dos exemplos. Na vida real, acusações sem provas é o que mais se vê. Lula, por exemplo, que até pode ser culpado dos atos que lhe acusam, não tem nenhum desses atos comprovados contra si. Espero que chegue o dia que Lula consiga provar a sua inocência - que já é provada, pela falta de provas - como Harry Potter fez quando conseguiu provar que Lord Voldemort voltara, em pleno Ministério da Magia.
O Profeta Diário, um veículo de comunicação atrelado ao Ministério da Magia, é a Globo da trama. Notícias mentirosas e tendenciosas sobre a personalidade de Alvo Dumbledore e Harry Potter, bem como insinuações sobre o relacionamento Harry-Hermione, que nunca passou da mais sincera amizade, são típicas de imprensas que se utilizam do seu poderoso alcance para manipular e influenciar opiniões.
Poderia citar outros pontos, como a relação entre a Brigada Inquisitorial e o MBL (não é MUITO parecido, mas me lembrou no momento que eu reli, pela 34654764ª vez), mas acredito que está bem explicado. Mais uma vez, a vida imita a arte, ou a arte imita a vida, o que tem acontecido frequentemente.







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