Vergonha em duas frentes

Vergonha 1: de ser gaúcho e de morar no Rio Grande do Sul.

Vergonha 2: de ser homem heterossexual.

Explicando a vergonha 1, de forma sucinta, tentando ser o mais específico possível: o povo gaúcho é uma vergonha, principalmente quando falamos em eleições. O povo esquecerá que Sartori prometeu não se utilizar dos depósitos judiciais, medida criticada pelo mesmo e por todos oposicionistas, inclusive pelo PSOL de Robaina, na campanha de 2014. Tarso defendeu o uso dos depósitos como medida de gestão. Os depósitos não estão lá de graça, se podem ser utilizados, que se utilize, ainda mais para pagar funcionalismo em dia, principalmente professores e brigadianos, funções essenciais

Foto: Maia Rubim/Sul 21 

Não obstante, chegamos a vergonha de uma parcela no valor de R$ 350,00 para os professores e demais funcionários públicos. Enquanto isso, faturas de cartões seguem vencidas e acumulando juros, aluguéis de casas seguem sendo atrasados - com moradores sendo despejados - dentre outros acontecimentos trágicos de quem não tem dinheiro. Como manter uma educação básica e média de qualidade com os diários ataques governamentais, a nível estadual e federal? Sartori chegou a pedir compreensão por parte dos professores. Espere sentado enquanto a greve do CPERS se deflagra. O problema, como referido acima: o povo se esquecerá um dia voltará a votar no PMDB. 

Explicando a vergonha 2, a maior delas. O fatídico caso do homem que ejaculou no ombro/pescoço de uma mulher em um BRT de São Paulo, que foi julgado na semana que se passou - julgado por um homem, vejam bem - gerou uma polêmica imensa. O judiciário brasileiro provou a sua nulidade quando falamos em desigualdade de gênero. O juiz disse que não houve constrangimento, quando o que ocorreu foi um constrangimento homérico, e um caso de estupro, pois, conforme chegou a meu conhecimento depois, com vários testemunhos, a mulher foi forçada a ficar parada no banco esperando o homem ejacular. O que aconteceu também cria um precedente perigoso: mais e mais casos passarão despercebidos, ou se forem percebidos, serão julgados com a pífia caneta judiciária brasileira, a que sempre serve e serviu a interesses espúrios. 

Por isso a vergonha de ser um homem heterossexual em uma sociedade que tende a, cada vez mais, só nos favorecer. Por mais que eu não corrobore com tais atos da justiça brasileira e de homens que, mesmo sendo liberados pela justiça, apesar de longas fichas policiais, cometem outros crimes de mesmo cunho machista e opressor, eu pertenço a esse esteriótipo: homem e hétero. Sou visto por muitos que não me conhecem como um estuprador em potencial, e tendo em vista os casos diários de machismo - estupro e outras violências, morais e físicas - enraizado na nossa história, não posso deixar de concordar com tais pessoas. 

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Infelizmente essa é a nossa história, de desvalorização de quem constrói o país e de opressão a classes menos favorecidas economicamente e de machismo e opressão às mulheres. E essa roda histórica, por mais que gire, não mudará amanhã ou depois de amanhã. E no que depender da justiça, daremos enormes passos para trás. 

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