A Militância Petista de Cabeça Erguida!

É muito fácil de entender o que aconteceu na manhã desta fatídica sexta feira, dia 04/03/16. Uma verdadeira invasão, sem precedentes, na casa do ex presidente Lula, que constrangeu não só a ele e a família dele, mas sim a toda uma nação de militantes que defendem o seu legado. Se hoje vamos as ruas, não é por que somos fiéis de uma religião sem causa, não é por que somos cordeirinhos idiotas sem propósito nenhum, com discursos vazios. Somos defensores de uma causa que hoje, nesse dia vergonhoso, porém histórico, se tornou mais forte, com propósitos ainda mais exacerbados. E não venham me dizer que o PT influencia nas decisões da Justiça Federal e do STF. O Superior Tribunal Federal autorizou a primeira prisão de um Senador no exercício de seu mandato, e esse senador é petista: Delcídio Amaral. Esse mesmo STF hoje critica a decisão de Moro, e ainda permitiu que Lula não dessa depoimento, como se cogitou em uma das fases da operação lava-jato. Mas muitos brasileiros, influenciados pela grande mídia - tema que abordarei mais adiante - se apoiam em "achismos", em argumentos sem fundamento e prova nenhuma, para desgastar ainda mais a imagem de Lula e do PT. 

Foto: Gabriela Biló/Estadão

Mas vamos aos motivos, de raízes históricas, que deflagaram na ação de hoje. O primeiro governo de cunho populista do Brasil foi de Getúlio Vargas, que chegou ao poder em 3 de Novembro de 1930, botando em prática políticas muito comuns, guardadas as devidas proporções, às adotadas nos dias de hoje. Ele cometeu um erro crasso a democracia ao querer se perpetuar no poder, ficando até o dia 29 de Outubro de 1945, numa “renúncia forçada”, assunto para um futuro post. Mesmo com essa intenção de perpetuação no poder, ele foi, até aquela época, o presidente mais popular da história. Com a criação de direitos trabalhistas, voltou ao poder em 31 de Janeiro de 1951, dessa vez “nos braços do povo”. Ele foi tão querido, mesmo sendo uma espécie rara de ditador, que obteve nas urnas o direito de governar o país novamente. Mas naquela época, a conjuntura pode ser considerada a mesma de hoje. Imprensa contra, povo a favor. Burguesia contra, trabalhadores a favor. Esse era o paradigma que rondava a vida de Getúlio Dornelles Vargas, e que pode ser considerada, na minha opinião, a mesma de hoje. Se tenta através da imprensa um golpe à democracia do mandato da presidenta Dilma Roussef. Se tenta desconstruir uma imagem, que nunca será apagada, de um homem que pôs comida na mesa de milhares de brasileiros, que tirou milhões da extrema pobreza e da pobreza, fez a economia girar com a entrada desses pobres na roda econômica e criou uma política de inclusão social nunca antes vista na história desse país. É essa a imagem que tentam demonizar, com o apoio da grande imprensa, dos meios de comunicação em massa, de rádio, televisão e jornal. Municiam ainda, com informações desencontradas, milhares de militantes virtuais, que espalham preconceito e ódio nas redes sociais. Alguém ainda duvida da parcialidade da Polícia Federal Brasileira, Justiça Federal e do lado em que esses órgãos atuam? 

Não é de interesse da imprensa que os pobres entrem na economia, por que não é do interesse dos ricos que esses pobres se misturem a eles, e são esses ricos que sustentam essa imprensa. Para grande parte da burguesia brasileira e mundial, pobreza é doença que deve ser combatida a duras penas. Quando um ex metalúrgico chegou ao poder, foi como se uma tragédia tivesse acontecido para a classe dos grandes empresários, proprietários de grandes empresas e banqueiros – não vamos falar do fato de essas pessoas continuarem aumentando o seu poderio econômico, mas a perspectiva dessas pessoas na época da eleição de Lula não era nada boa. Enfim, os pobres teriam a sua vez. Finalmente eles entrariam no mapa da economia brasileira e mundial. Quem diria que um dia uma pessoa residente nos distritos mais longínquos do nordeste e do norte, regiões mais pobres do Brasil, poderia viajar de avião para conhecer essa maravilha de país e esse mundo tão gigante? Isso tem nome, e apenas um: Luís Inácio Lula da Silva, apontado por diversas pesquisas como o maior presidente da história. E por essa inclusão histórica que Lula vem tendo sua imagem desgastada a cada dia na imprensa, desde o dia em que deixou o poder para sua sucessora, Dilma Vana Roussef – aliás, a própria Dilma tem seu nome demonizado dia a dia (porém, vamos manter o foco). A imprensa brasileira serve a apenas uma corrente política: a direita e seus asseclas, ainda que seja difícil de definir quem é esquerda e quem é direita no país, a grande imprensa tem lado. A prova disso são os fatos de que Cunha e Aécio, duas figuras do que se poderia chamar de direita no Brasil (pelo menos podem ser chamados de anti esquerdistas) são citados em delações premiadas, acusados pelo STF, e não se vê a mesma cobertura cinematográfica que se faz quando a notícia aborda um petista, ou uma pessoa que apoia o governo atual. E isso reflete no pensamento das pessoas, moldando as ideologias de cada brasileiro que consome esse tipo de mídia podre por dentro. Esse é o fato que é interessante a esses meios de comunicação, ter uma população moldada, como se fossem robôs, sem pensamento próprio, pois não se pode dizer, infelizmente, que a mídia é imparcial. Ela, muitas vezes, publica verdades, o problema é que essas verdades não atingem todas as correntes políticas, e sim uma parcela dos partidos, e são sempre aqueles – ou aquele – que elevaram o padrão de vida das pessoas pobres, colocaram negros na faculdade, levaram luz para mais 15 milhões, levaram saúde e educação dignas as pessoas em condições miseráveis de vida. 

Não quero dizer aqui que esses 13 anos de governos petistas foram perfeitos. Existem muitos caminhos a serem corrigidos, muitas políticas adotadas que devem ser revistas. A parte econômica do governo Dilma é desastrosa, a aliança de Lula com o PMDB é um câncer, mas todas essas “doenças” são perfeitamente curáveis com o tempo. Espero que Lula volte em 2018 com muita energia e muita força para rever essas ideologias. Não se governa sem alianças, mas se governa sem PMDB e sem a direita. Lula fez eu acreditar que o Brasil tinha um governo de esquerda, apesar dos defeitos. Dilma fez eu acreditar que se o Aécio ganhasse, a coisa só estaria um pouco pior. Mas Lula hoje, com seu discurso inflamado, me fez acreditar que a esquerda do Brasil está mais viva do que nunca. Como o próprio disse, “se quiseram matar a jararaca, não bateram na cabeça, bateram no rabo”. 

Eu ainda acredito no Partido dos Trabalhadores, eu ainda acredito no Brasil e no estado de direito, eu ainda acredito nas pessoas que comandam esse país. O PT não acabou, Lula vai voltar em 2018 com a força do povo, e um dia eu poderei dizer aos meus netos: “Uma jararaca governou o Brasil”.

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