Democracia acima de tudo!

Estamos em 2016, tempos em que, se não fossemos uma sociedade atrasada na maioria dos aspectos, deveríamos conviver em perfeita harmonia. Brancos, negros, índios, pardos, homossexuais, heterossexuais, bissexuais, enfim, todo mundo convivendo bem, em paz com todo mundo. Mas sabemos que as coisas não funcionam assim, e não só aqui, mas no mundo inteiro.

O mundo está repleto de guerras, a maioria delas causadas pela sede de poder, porém muitas são frutos de pensamentos fundamentalistas, como as religiões. Sem desmerecer a religião de cada um, não podemos negar que as guerras no Oriente Médio são causadas por esse motivo. Todos esses pensamentos, o de que aquilo que nós defendemos ou acreditamos é maior do que aquilo que outras pessoas defendem e acreditam está acabando com o mundo. Invoco esses pensamentos para dissertar sobre fatos que aconteceram essa semana e vão de encontro com o que foi descrito acima: nessa semana que se encerra, um índio foi agredido na porta da Casa do Estudante da UFRGS, no centro de Porto Alegre. Também essa semana, uma ex secretária do governo do Rio Grande do Sul teve um atendimento ao seu filho negado por ser petista. Em outros casos no país, pessoas que saíam as ruas de camiseta vermelha foram agredidas. Não são casos isolados, são consequências da maneira como o ódio vem se espalhando pelo mundo.

O sistema democrático de hoje nos permite sair as ruas para protestar pelo que quiser, desde que se mantenha o bom senso e não prejudique outras pessoas. O problema é que essas manifestações que acontecem hoje em dia sempre acabam em confusão. Não se respeita mais a liberdade de expressão que todo o ser humano tem. Por maiores besteiras que se veja nas ruas - mesmo que na nossa opinião seja besteira - devemos respeitar, por mais difícil que seja. Essa é a beleza da democracia.

Em tempos anteriores não se tinha essa liberdade. Se você fosse para as ruas falar que era contra o governo, você muito provavelmente seria preso e torturado. Se não fosse preso, não teria a mesma liberdade que tem hoje. As pessoas que pedem a volta da ditadura não devem ter esse discernimento, mesmo elas dizendo que viveram nessa época. Claro, para quem apoiava esse tipo de governo, era fácil sair nas ruas a hora que quisesse, sem ter medo de cair numa emboscada. Estudantes que queriam ter uma certa liberdade de pensamento eram perseguidos. Hoje não funciona dessa maneira. Você pensa e não é preso por isso. O governo respeita coisas como o "acampamento Sérgio Moro" na Avenida Goethe, por exemplo. Suponhamos que esse governo fosse ditatorial: esse acampamento já teria sido posto pra baixo, a cacetadas, as pessoas seriam presas, torturadas, pois supostamente elas teriam algum tipo de informação que poderia prejudicar o governo. Devemos pensar adiante, a roda da história tem que girar para frente.

É por esse motivo que se fala "Não vai ter golpe". O golpe que se fala não seria contra um governo, e sim o rompimento de uma democracia ainda adolescente. Outro governo assumiria, com outras perspectivas, porém não sabemos como esse novo governo iria se comportar diante da crise. Outro problema de uma possível destituição do governo Dilma é a sua linha sucessória: Michel Temmer, citado na operação Lava Jato, Eduardo Cunha, que dispensa comentários, e Renam Calheiros, outro citado na Lava Jato. Como já disse Ciro Gomes, "remédio pra governo ruim e que a gente não gosta não é o impeachment".

Uma sociedade ideal, a que se sonha como sendo perfeita, é uma sociedade igualitária, onde as pessoas se amariam e se respeitariam mais. Uma sociedade um índio não seria agredido pelo simples fato de ser índio. Uma sociedade onde um negro não seria discriminado pelo simples fato de ser negro. Uma sociedade onde os homossexuais seriam respeitados, pois cabe a cada um decidir como quer ser feliz. 

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