PMDB e o golpe

O PMDB foi um partido muito importante na nossa história, sendo vanguarda na luta pela democracia nos anos 80, ajudando a consolidar uma Constituição que atendia, ao menos em partes, os anseios da população. A Constituição em si é uma conquista muito importante para o nosso povo, nos trouxe uma determinada liberdade, mais direitos e mais protagonismo no papel de cidadãos. Porém, nos dias de hoje, esse mesmo partido está rasgando a Constituição pedaços miúdos. Capitaneados pelo seu presidente, Michel Temer, vice presidente da República, querem a qualquer custo o impeachment ilegal de Dilma Roussef. Vale lembrar que desde a redemocratização eles estiveram no poder dua vezes, com Tancredo e após a sua morte, José Sarney (Tancredo não chegou a assumir), ainda na época em que a eleição era pelo Congresso, depois com Itamar Franco, que entrou no lugar de Fernando Collor, e depois estando na base do governo FHC e agora na base dos governos petistas, ou seja, podendo ter pela terceira vez um presidente sem o povo o ter elegido. 

Aqui se prova uma coisa que eu vinha dizendo a muito tempo: o maior erro do ex presidente Lula foi ter feito aliança com esse partido, por maior governabilidade que tivesse e por mais positivo que isso tenha sido nos primeiros anos de governo. Claro que a saída oficial do PMDB do governo Dilma será de extrema importância, pois o partido tem muitos deputados que de fato foram importantes para a governabilidade atual, porém muitos destes já votavam contra o governo em muitas pautas. Dilma não teve a mesma capacidade de conversar com a sua base que Lula teve. Nesse momento, eles apenas estão oficializando uma coisa que já estava na cara, não enxergava quem não queria. O processo de impeachment apenas complementa isso: o PMDB já tem até plano de governo no caso de impedimento da presidenta. Uma vergonha. Um partido que já tinha uma história que vinha sendo manchada, agora cai e se afunda em um buraco sem volta. 

A democracia não precisa disso, pois contra Dilma não se tem nenhuma acusação. As famosas pedaladas fiscais, praticadas por muitos ex presidentes, são praticas comuns nos governos, inclusive estaduais. Quando não se tem dinheiro para manter os programas sociais, o governo "pede emprestado" pro banco, e depois que consegue arrecadar determinada quantia, devolve para o mesmo, como em uma espécie de financiamento. Não se viu o PMDB pedir o impeachment de FHC, por exemplo, que foi um dos que mais pedalou fiscalmente - apenas para citar um fato que poderia servir de motivo para o impedimento dele. Um impeachment agora, apesar das especulações positivas que o mercado tem com relação a ele, lá na frente irão resultar sérios danos para a sociedade, tendo em vista o plano do PMDB para o governo, que prevê maior aprofundamento do ajuste fiscal, que já nos prejudica. 

Devemos lutar pela consolidação da democracia para que logo adiante, em 2018, com eleições limpas, se possa eleger um presidente legítimo, sem choro. Se o PMDB quiser realmente o poder, que o vença nas urnas, tratando eles de tirar velhas mazelas, como Eduardo Cunha, que é cheio de acusações de corrupção, e ainda exerce um poder extremamente importante para o Brasil. Que se investigue Cunha da mesma maneira, e que o tirem do poder com a mesma intensidade que querem retirar Dilma Roussef, legitimamente eleita e sem nenhuma acusação de corrupção. Que se peça também que Temer saia, pois este sim aparece na Lava Jato. 

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