Possíveis soluções para a segurança pública: estamos no rumo certo?

Vivemos um verdadeiro caos na segurança pública no nosso estado. Muito se deve a atuação do governo do estado no que diz respeito ao pagamento dos servidores, de todas as áreas, o que acaba acarretando em greves e tiram esses servidores de suas atividades. Mais grave que isso, é redução do quadro de brigadianos, corte das horas extras dos mesmos, enfim, o enxugamento da máquina que prejudica os cidadãos que enfrentam o problema da violência no dia a dia. Em Porto Alegre, por exemplo, o número de assaltos é recorde, e o nível da brutalidade dos assaltantes fica a cada dia mais incalculável. Há alguns dias, na Rodoviária de Porto Alegre, uma moça que venho do interior para visitar o namorado foi assaltada de madrugada. Os bandidos pediram para que ela não chorasse, e por ter feito isso, ela foi esfaqueada e morta. 

Mas quais seriam as soluções para que esse problema da segurança pública em Porto Alegre e no estado fosse superado? Muitas alternativas podem ser debatidas, e proponho algumas:

- Aumentar o efetivo, apesar de ser uma solução a curto prazo e meio obvia, seria a solução mais adequada. Desde o início do mandato de José Ivo Sartori, o efetivo de brigadianos diminuiu, e não bastando isso, foram cortadas as horas extras, o que diminuiu o tempo em que esses brigadianos ficam nas ruas e diminuem a sensação de segurança das pessoas, ao mesmo tempo aumenta a seguridade de atuação dos bandidos. Mas como dito logo acima, essa é uma solução a curto prazo.

- A solução a médio prazo seria, na minha modesta e humilde opinião, a legalização das drogas, de todas elas. Por que? Bom, vejamos: por que, geralmente, o bandido assalta? Na maioria das vezes, para manter o tráfico de drogas ativo, e para manter o seu vício ativo. No desespero por algumas moedas para comprar a sua pedrinha de crack, ou para pagar uma dívida com alguma boca de fumo, essas pessoas precisam achar uma solução urgente e um dinheiro fácil para sanar essa dívida, e qual é a solução fácil e barata? Assaltar. Claro, tem aqueles que assaltam para levar comida pra casa, por que esses também já estão desesperados (alguns podem dizer que trabalhar seria a solução mais fácil e digna, no que essas pessoas estariam certas, mas estamos discutindo os motivos para essas pessoas cometerem tais delitos). Legalizando as drogas, podemos seguramente dizer que isso seria um tiro no pé do tráfico. O que mais seria traficado? Bom, eu realmente não sei, mas no Brasil, quase que 100% são as drogas não legalizadas, como a Maconha, Cocaína e o Crack. Essa futura legalização, que precisa ser bastante debatida em sociedade, pode no futuro conscientizar essas pessoas, com acompanhamento do setor da saúde, a não usarem mais esses tipos de drogas, e se ocuparem com outras atividades. Na Holanda, por exemplo, onde tudo é livremente legalizado, as pessoas que se drogam, em sua maioria, recebem acompanhamento médico, e muitas abandonam o vício. Lá também existem os chamados centros de drogadição, onde as pessoas se utilizam de siringas esterilizadas, não correndo riscos de pegarem doenças mais graves. Outro ponto importante nesse debate: por que o cigarro, que é mais prejudicial a saúde do que a maconha (comprovado cientificamente) é legalizado e a maconha não?

- A solução a longo prazo seria o tão falado investimento na educação, mas nesse caso falo na educação dentro dos presídios. Sim, eu concordo que o preso deva trabalhar dentro da prisão para pagar a sua estadia lá, porém ele deve receber educação la dentro, deve ser conscientizado de que o que ele fez é errado. Esse deveria ser um investimento pesado do poder público. É dever do estado receber o preso e devolver para a sociedade um cidadão, isso tá na Constituição Federal de 1988, se alguém duvidar do que estou dizendo – não exatamente nessas palavras. Para que isso aconteça, o preso deve receber acompanhamento educacional e psicológico, onde se investigaram as causas, que muitas vezes são psicológicas, do por que a pessoa ter tomado esse rumo. Se muitas pessoas se tratam psicologicamente e psiquiatricamente para corrigir problemas que acontecem em suas vidas, por que não as pessoas que assaltam?

Não se tratam de propostas para proteger os bandidos, e não se trata de gastar um dinheiro a toa. Os caras são cidadãos assim como nós, que se não são vítimas da sociedade, um dia podem vir a se tornar membros dela. Ninguém precisa adotar um bandido, como a Maria do Rosário disse, mas devemos nos conscientizar do papel que deveria ser cumprido pelo Estado (quando eu falo de Estado, falo da federação, não do Rio Grande do Sul) e não é. Hoje, as cadeias brasileiras têm uma ocupação maior que 200%, e realmente fica difícil de se colocarem essas políticas de educação e acompanhamento psicológico em prática, mas uma coisa é certa: esse debate deve ser feito em sociedade, nas conversas com os amigos, nas rodas de chimarrão e afins, e mais importante, esse debate não pode tomar o rumo do “bandido bom é bandido morto”. Esse é um pensamento retrógrado, atrasado, e que deve ser deixado de lado. Todo mundo merece uma segunda, até uma terceira chance, mesmo esse sendo um assunto bem delicado, e fica mais delicado ainda quando acontece alguma coisa com nós ou com membros da nossa família. 

Lembrando que se tivéssemos uma educação pública de qualidade, não teríamos muitos desses problemas. Mas é para isso que se deve investir pesado na educação de base, na formação do cidadão, dentro das periferias e nos lugares menos assistidos pela sociedade. O problema é que muitas pessoas não possuem esse acesso, o que prejudica a sua formação.

Enfim, estamos no rumo certo?


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