A política da semana: vergonha em Cachoeirinha, novos parcelamentos e etc.
Essa foi mais uma semana movimentada na
política gaúcha e brasileira. Aliás, todas as semanas tem sido assim, com novas
medidas drásticas adotadas pelo governo ilegítimo de Temer e novos protestos e
resistências por parte da sociedade. Os atos de resistência, por si só, já
mostram o quão indignados estamos com todas as medidas repressivas do Estado.
Teremos que lutar ferrenhamente para que mais direitos conquistados nos últimos
tempos se mantenham, e que outros não sejam retirados.
Além deste governo que aí está, desde o golpe parlamentar de 2016,
presenciamos uma série de medidas, tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Sul,
que não são discutidas e debatidas com a sociedade gaúcha e brasileira. Não é
preciso ser de esquerda ou de direita para entender o principal objetivo da
democracia, deixando um pouco de lado que ela já não é mais respeitada como
deveria ser: o princípio da democracia é, além de respeitar as decisões do
povo, dialogar com a sociedade sobre as diversas medidas tomadas e apenas
decidir sobre qualquer assunto quando aquela classe fora ouvida e ambas as
partes chegarem a um acordo. Não é o que se vê em Cachoeirinha, Gravataí, Rio
Grande do Sul e Brasil.
Não conheço a história de Cachoeirinha, minha cidade vizinha e que
dificilmente deixo de frequentar durante a semana devido o meu deslocamento
para a capital. Porém posso afirmar que a cidade passa pelo pior momento de sua
existência. Miki Breier (PSB), ao assumir a prefeitura já propôs um pacote de
corte de direitos dos servidores públicos. Essa medida não foi discutida com o
sindicato da categoria e muito menos com os trabalhadores. Não passa pela
cabeça do ex secretário do governo Sartori que somente se avança em uma cidade
com servidores valorizados. Se os professores se sentirem valorizados, eles
darão aulas melhores. Se a guarda municipal for valorizada, ela prestará um
serviço melhor para a população, e isso serve para todos os outros setores
afetados. Como se isso não bastasse, a prefeitura colocou em prática o seu
aparato repressivo. Diversos vídeos circulam na internet provando isso.
Policiais espancando o servidor que foi para lá protestar, já que não foi
ouvido de nenhuma forma pelo governo que aí está. Nenhuma atitude justifica
essa barbárie. O fato de terem sido brigadianos os principais repressores dessa
manifestação não atenua a culpa do prefeito. A ordem partiu de algum órgão de
algum governo. Foi PMDB ou PSB que ordenaram.
No Rio Grande do Sul, o salário dos
servidores é parcelado mês a mês. Nenhuma forma de economia dos gastos do
estado é discutida com os mesmos. Não se ouve falar em nenhum CC (Cargo de
Confiança) que tenha sido destituído para a melhor operação da máquina pública. Para o governo atual, não há alternativa. Outra questão muito cara ao nosso povo
é a enorme dívida do estado com a União. Mais uma vez o povo gaúcho está
pagando por ela, com todos os cortes de gastos em áreas de extrema importância,
como a segurança. E de novo o PMDB vai jogar essa dívida pro próximo
governador, com uma negociação muito parecida com a do ex governador Antônio
Britto. Segundo o novo acordo com o governo federal, que depende de
federalizações e privatizações de órgãos públicos gaúchos, o pagamento da
dívida será suspenso por seis anos (antes eram três), o que acarretará muitos
juros. De nenhuma forma essa negociação foi debatida com a sociedade, como já
era de se esperar. Lembrando que Tarso Genro havia conseguido a negociação da
dívida, reduzindo um déficit de 15 bilhões de reais. Tarso conseguia operar a
máquina pública mesmo na crise. Sartori acha uma desculpa pra jogar a dívida
nas costas do povo, e claro, do próximo governador que vier, que ele mesmo já
tem consciência de que não será o próprio.
Outra maneira covarde de governar do PMDB
gaúcho, que se parece e muito com o nacional, é a extinção das fundações. Os
servidores que dependem do emprego ficarão no olho da rua. A importância do que
faz cada fundação para os gaúchos jamais foi levado em conta por José Ivo
Sartori e seus comparsas. Não há mais segurança quando a questão é o emprego e
a renda do gaúcho. Esperam que dessa forma possamos crescer? Um Estado onde
impera apenas o medo só pode ir em uma direção: para trás, para os tempos
medievais e retrógrados.
Acima, esqueci de mencionar algo que muito
me incomoda, e imagina se não incomoda os servidores: o 13º salário de 2016
está sendo parcelado em 12 vezes neste ano. Isso configuraria impeachment do
atual governador, pois o 13º salário de qualquer esfera, pública ou privada,
deve ser pago até o dia 20/12 de todos os anos. Obviamente isso não irá acontecer,
pois Sartori ainda tem o controle da Assembleia Legislativa, apesar das últimas
derrotas governistas.
No âmbito nacional, não é novidade a falta
de diálogo com a população sobre as medidas tomadas. A terceirização, a reforma
do ensino médio e a reforma da previdência são exemplos clássicos. Nenhum
trabalhador e nenhum professor foi ouvido sobre tais leis. Enquanto as
universidades públicas federais estão em condições de estrutura cada vez
piores, nada se faz para atender esta demanda. O único meio que se encontra
para sair da “recessão” é o ataque aos direitos adquiridos ao longo dos anos. A
terceirização prejudica demais as relações de emprego, tornando o trabalhador
mais suscetível a acidentes, ganhando menos e sem plano de carreira. O
trabalhador terceirizado ganha cerca de 20% a menos do que trabalhador efetivo.
Pesquisas demonstram que a maioria dos acidentes de trabalho envolvem pessoas
terceirizadas. Muitos destes trabalhadores não utilizam da maneira correta o
Equipamento de Proteção Individual (EPI), e como a empresa contratante do
serviço não tem compromisso com o terceirizado, não cabe a ela o cuidado com
este. Outro fator importante são os planos de carreira, que não ficam a cargo
da empresa contratante, e nenhuma empresa que terceiriza serviços irá fazê-lo. Isso
sem mencionar o quinquênio. Muitos trabalhadores terceirizados, ao ficarem
trocando de empresa, mas mantendo-se no mesmo posto de trabalho, perdem este
direito.
A reforma do ensino médio é totalmente
descabível de entendimento. Retira-se a obrigatoriedade do ensino da história,
sociologia e filosofia, ou seja, as únicas matérias que fazem com que o aluno
tenha pensamento crítico sobre a realidade ao seu redor. Custava ouvir a
opinião dos estudantes e professores sobre essa questão? Estamos falando de uma
reforma que afeta diretamente a vida deles. Mas não, este governo honrou as
suas diretrizes ao sequer abrir uma consulta pública sobre o assunto,
características fortes dos governos petistas.
Reforma da previdência então nem se fala.
Os pobres trabalhadores irão pagar pela incompetência desse governo. Enquanto milhares
de empresas devem à União os fatídicos 20% da folha de pagamento, nada é feito
para cobrar essa dívida. A expectativa de vida do trabalhador aumentou, é
verdade, e isso até pode servir como uma das desculpas Temeristas, mas a
expectativa de vida também aumenta na medida em que se pode aproveitar esta.
Qual será a expectativa de vida dos trabalhadores ao se aposentarem com seus 80
anos (os que conseguirem chegar lá)?
Quando fiz referência a nossa cidade,
Gravataí, sobre a falta de diálogo, é claro que estava falando sobre nobre
prefeito Marco Alba, e seu modelo de educação “positivo”. O prefeito diz que houve
diálogo com os professores, sendo que os mesmos afirmam que nenhuma forma de
debate com eles e os alunos ocorreu.
Com tudo isso, conclui-se que os valores
da democracia, além de terem ido por água abaixo em Abril do ano passado, estão
sendo desrespeitados das mais diversas formas por governos de todas as esferas
(nacional, estadual e municipal). Não se ouve mais a população. Os que estão no
poder deveriam nos representar, atender os nossos anseios, e não servir-se dos
cargos. Os mandatos hoje estão servindo apenas a quem comanda. Estamos com uma
carência forte de representatividade, tanto aqui quanto no Congresso. O Estado
precisa ser representativo, a população precisa se ver nos seus escolhidos.
Ora, por que a maioria da população é favor das privatizações? Porque não se vê
representada nas instituições, porque elas não são fortes o suficiente para
representar o povo. O Estado precisa ser forte, não em demasia, mas na medida
certa. Somente assim avançaremos.


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