Afinal, Bruno merece uma segunda chance?
Muitas pessoas estão dizendo que não, alegando o óbvio: "falta um homicídio doloso qualificado no meu currículo para conseguir um emprego", dentre outros clichês. Mesmo o indivíduo que mata uma pessoa, tem o direito de se arrepender do erro? Isso vai da concepção e opinião de cada um. Não se pode voltar atrás nesse tipo de erro gravíssimo, mas se a pessoa realmente se arrependeu, ninguém pode afirmar se é verdade ou não. Vejo muitas pessoas da esquerda, inclusive, acusando o Boa Esporte por ter contratado o recém liberado Bruno, ex goleiro do Flamengo, condenado por articular o assassinato da mãe de seu filho.
Esse tempo em que ele ficou na cadeia, mesmo se tendo o fato de ele não ter cumprido a sua pena integralmente, pode ter sido suficiente para Bruno refletir sobre seus erros e se arrepender? Pode. Se isso realmente ocorreu, o único que pode provar pra si mesmo é o próprio acusado. A nós cabe tecer opinião sobre a vida alheia, algo que fazemos com maestria.
A única coisa que, na minha opinião, não está correta nesta história é o fato de que, no Brasil, apenas a elite tem acesso a tão sonhada "segunda chance". Se tu tiveres dinheiro, podes cometer o crime que quiseres, se a mídia estiver do teu lado, a segunda chance está garantida. Essa é a sensação, além da impunidade, que fica bem clara nesse caso. Esse é um crime machista e misógino, onde foram usados todos os subterfúgios possíveis para desmoralizar a figura feminina desta história. E quantos crimes desse tipo acontecem por dia no Brasil? E quantas pessoas pobres que cometem crimes muito menos brandos e não tem a sua segunda chance? Quantos pobres saem da cadeia e de cara recebem uma oferta de emprego na porta de sua casa (ou da cadeia)? Tudo gira em torno do dinheiro. Se eu tenho, estou absolvido.
O Boa Esporte errou? Sim, mas não ao dar a segunda chance a um (talvez ex) criminoso, e sim por sustentar esse sistema de exploração. Que empresa contrata ex condenado (por mais errado que isso pareça para alguns)? Que pessoa tem a chance de se explicar para a sociedade que se arrependeu e que não fará aquilo de novo? E o pior: que garantia temos de que aquilo não irá mais acontecer? A pouco tempo tínhamos no Rio Grande do Sul um jogador que trabalhava de dia (pelo Inter de Santa Maria) e a noite ia para a cadeia. Mesmo sendo de um clube que não tem, e na época não tinha dinheiro, o jogador Denner, que no meio de um jogo desferiu um soco na lateral do pescoço do jogador Régis, do Caxias, deixando-o com sequelas, trabalhava de dia e cumpria sua pena de noite. Certo? Sob o olhar "criminoso x sociedade" até acho certo, mas quando se tem a certeza de que isso não ocorre todo dia, não com qualquer pessoa, isso está totalmente errado.



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