Mulheres. Ontem, hoje e sempre. (Kathrine Switzer e Annette Kellerman)
Dando seguimento a série sobre grandes mulheres que mudaram os cursos da história e que são pouco conhecidas do público, hoje apresento-lhes Kathrine Switzer e Annette Kellerman. Domingo, dia 12/03 é a vez de conhecer a história do primeiro time de basquete feminino dos Estados Unidos e Boadicéia, rainha celta que liderou tribos em um levante contra as forças romanas que ocupavam a Grã-Bretanha.
Kathrine Switzer, a primeira mulher a correr a Maratona de Boston (mesmo após tentar ser impedida pelos organizadores) - 1967
Toda mulher que disputa provas de corrida pelas ruas de qualquer parte do mundo deve agradecer um pouco a Kathrine Switzer. Antes da edição de 1967 da Maratona de Boston, apenas homens poderiam integrar quaisquer provas de rua do país, antes mesmo de as mulheres se rebelarem contra os padrões vigentes, pedindo maior igualdade entre os seres humanos, na famosa Atlantic City, em 1968. A americana viveu momentos de tensão e vitória naquele gélido dia, e não fazia ideia de que se tornaria uma das páginas da história na luta pela igualdade entre homens e mulheres.
Nascida em 5 de Janeiro de 1947, Kathrine decidiu, aos 12 anos, ser líder de torcida. Desaprovada pelo pai, que estimulava os filhos a pensarem além dos papéis tradicionais da sociedade, foi incentivada a praticar esportes.
- Meu pai disse: "Ser líder de torcida é algo bobo. Você pode fazer um esporte e ter pessoas torcendo por você". Eu sempre achei que uma menina podia fazer qualquer coisa que um garoto fizesse, então levei esse conselho a sério. Com o incentivo do meu pai, comecei a entrar em forma para jogar no time de hóquei do colégio, correndo uma milha (1,6 km), coisa que ninguém fazia nas ruas em 1959 - afirmou Kathrine em um capítulo do livro "O Espírito da Maratona", de Gail Waesche Kislevitz, republicado em seu site.
- Com o passar do tempo, correr se tornou uma arma secreta do meu primeiro amor. Era algo que eu podia fazer por mim, não custava nada, não necessitava de equipamento e eu amava treinar ao ar livre. Eu sabia que a corrida seria meu esporte de toda a vida. E ainda era boa no que fazia - revelou a atleta.
Depois de muito ouvir falar na Maratona de Boston, no qual seu treinador de corrida (Arnie Briggs) era veterano, Kathrine precisou provar para ele que era capaz de correr 42 km. E, aos 20 anos, conseguiu.
No dia da prova, nevava e ventava muito, além do frio exorbitante. Os outros corredores demonstraram apoio e felicidade ao vê-la participar. Para a surpresa de Kathrine, a exceção foi um dos diretores da Maratona, Jock Semple.
- Quando me viram, os fotógrafos começaram a gritar: "tem uma garota na corrida". Eu não estava tentando me esconder de maneira nenhuma, pelo contrário, eu estava tão orgulhosa de mim mesma que usava até batom. Jock era conhecido pelo seu temperamento violento. Em um determinado momento, ele se enfureceu e veio correndo atrás de mim gritando: "saia da minha prova e me dê o número que está em seu peito". Eu morri de medo. Para a minha sorte, meu namorado, Tom Miller, de 115 kg, conseguiu empurrá-lo, enquanto Arnie gritava: "corra que nem uma louca". O resto é história. Minha presença infame não foi oficialmente registrada pela organização. Terminei a prova em torno de 4h20min - descreveu Kathrine.
Annette Kellerman, presa por indecência ao usar uma roupa de banho (que a cobria da região dos seios até a ponta do pé) em público - 1907
Annette Marie Sarah Kellerman nasceu no dia 6 de Julho de 1886 na Austrália e era filha de pai violinista e mãe professora de piano. Com seis anos de idade foi submetida ao doloroso tormento do uso de uma espécie de cinta de aço, devido a fraqueza nas pernas, o que lhe dificultava a locomoção. Por este motivo, seus pais fizeram com que frequentasse aulas de natação. Mais tarde ela se tornaria uma nadadora profissional e militante das causas das mulheres nadadoras.
Aos 18 anos, Annette foi a primeira mulher a tentar atravessar a nado o canal da Mancha, tentativa que viu frustrada por três vezes. Declarou que possuía a resistência, mas não a força bruta. Em 1902 seus pais decidiram se mudar para os Estados Unidos, instalando-se na cidade de Melbourne. Logo ela ficaria famosa por defender publicamente o uso de roupas de banho compostas de uma única peça, o que era considerado escandaloso na época por colocar em destaque a silhueta do corpo feminino. Annette chegou a ser presa em Massachussetts, em 1907, por atentado ao pudor ao ostentar publicamente o traje da foto acima. Em pouco tempo, lançaria ela sua própria linha de trajes de banho para mulheres, que seriam precursores das roupas de banho modernas: os maiôs que levariam seu nome, os maiôs Annette Kellermans.
Outra atitude ousada de Annette ocorreu no mundo cinematográfico, em 1916. Ela foi a primeira mulher a protagonizar uma cena de nudez total no filme "A Daughter of the Gods", uma produção com orçamento de mais de 1 milhão de dólares. Nenhuma das cópias deste ou de outros de seus filmes chegaram aos nossos dias.
Referências Bibliográficas:
http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/noticia/2012/03/fique-por-dentro-da-historia-da-atleta-americana-que-aos-20-anos-desafiou-regras-da-organizacao-da-prova-e-foi-quase-expulsa-por-um-dos-diretores.html
http://neinordin.com.br/annette-kellerman-a-luta-pelo-espaco-num-mundo-de-homens-2/




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