Mulheres. Ontem, hoje e sempre (Hipátia de Alexandria)
Seguindo a série sobre grandes mulheres que mudaram o curso da história, chegamos, ainda em tempos muito distantes, a história de Hipátia de Alexandria.
Hipátia de Alexandria, uma mulher além de seu tempo
Na cidade de Alexandria, no Egito, por volta do ano de 370 d.C., nascia Hipátia, filha o astrônomo, filósofo e matemático Theón. Não se tem muitas informações sobre a sua mãe, que morrera cedo. Theón supervisionava a educação de Hipátia, que era ministrada em princípios matemáticos e filosóficos, tendo-se assim o objetivo de torná-la um ser perfeito. Acreditava-se no ideal grego de que a mente e o corpo deveriam estar em perfeita harmonia, de acordo com o ditado grego "mente sã em um corpo são" (men sana in corpore sano).
Depois de frequentar uma escola em Atenas em que Plutarco (46-120 d.C.) lecionava, Hipátia voltou a Alexandria e se tornou professora da universidade, onde se diz que ela ocupou a cadeira de filosofia platônica. Hipátia era considerada um tipo de oráculo, e alunos de diversas partes do país iam a Alexandria para assistir às suas palestras inspiradoras sobre matemática e para estudar com ela. Aos 30 anos, se tornara diretora da Academia de Alexandria.
Uma mulher de conhecimento vasto que abrangia desde a Filosofia, passando pela Matemática, Astronomia, Religião, poesia e artes. Escreveu diversos livros relacionados a tratados de álgebra e aritmética, mecânica e tecnologia. Mas infelizmente, suas obras foram perdidas durante o famoso incêndio na Biblioteca de Alexandria, e o acesso aos seus escritos restringiu-se apenas às suas correspondências, muitas dessas escritas para um de seus alunos, Sinesius de Cirene, da Grécia, que posteriormente, em 411, se tornou bispo de Ptolomaida. Hipátia sugeriu que Sinesius medisse as posições das estrelas e dos planetas com um astrolábio e um planisfério, instrumentos astronômicos que ela havia projetado.
Relatos de alunos como Hesíquio, o hebreu, a descreviam como uma mulher que fazia questão de transmitir seus conhecimentos andando pela cidade com um manto que é comumente utilizado pelos filósofos da época. Explicava para o povo escritos de Platão, Aristóteles e qualquer outro filósofo que alguém a questionasse. Até os responsáveis pela administração da cidade a consultavam antes de tomar uma decisão importante.
Hipátia lutava pelo pensamento livre numa época em que o Cristianismo tornava-se cada vez mais forte sobre o paganismo em Alexandria, e as pessoas que tivessem pensamentos opostos eram considerados hereges e perseguidos. Sua vida ainda estava a salvo no período em que seu ex-aluno Orestes foi prefeito. Mas quando Cirilo se tornou o novo bispo da cidade, o movimento pagão foi reprimido violentamente e Hipátia condenada a morte.
Quando voltava para casa em sua carruagem, numa tarde de 415 D.C, foi retirada a força por uma multidão de cristãos furiosos que a arrastaram para a Igreja. Chegando lá, foi brutalmente despida e esquartejada a sangue frio com cascas de ostras, que lhe feriam a carne e desmembravam os membros do seu corpo a cada novo golpe, sendo depois jogado ao fogo, sem dó nem piedade.
Com requintes de crueldade, morre uma mulher que se destacou como nenhuma outra de sua época, por pregar a liberdade cultural e filosófica do pensamento, que estava no seu início, mas que logo foi brutalmente interrompida por uma doutrina religiosa. Hepátia morreu levando consigo toda a sabedoria de uma mulher que queria promover a liberdade de expressão para o seu povo e para sua cidade Alexandria. É mais um exemplo a nos mostrar que jamais devemos deixar de acreditar e lutar pelos nossos ideais.
Referências:
http://contatoufo.com/textos/a-historia-de-hipatia-de-alexandria-uma-mulher-alem-de-seu-tempo
http://www.ahistoria.com.br/biografia-hipatia/
http://www.newbanner.com/AboutPic/athena/raphael/nbi_hypa.html
http://www.deldebbio.com.br/2010/02/15/hipatia-de-alexandria/




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