Mulheres. Ontem, hoje e sempre. (Maud Wagner e Sarla Thakral)
No dia 8 de Março, todo homem apanha uma rosa para dar a uma mulher. Todos os dias, de oito em oito minutos, uma mulher apanha de um homem. Não é brincadeira, não é estatística furada. É a realidade que nós vivemos. Precisamos de um dia para lembrar da importância da mulher na história da humanidade? Precisamos do dia de hoje para lembrar das suas grandes invenções, seus ensinamentos e sua representatividade? Infelizmente, para alguns, sim.
Não poder votar, não poder usar uma saia curta, não poder sair sozinha de casa ou não poder estudar apenas por ser uma mulher. Se isso parece inaceitável, saiba que todas essas mudanças ocorreram graças a mulheres corajosas e de luta, que devotaram boa parte de suas vidas para mudar a história e permitir que tudo isso possa ser feito hoje sem um olhar de reprovação - ou pelo menos é assim que deveria ser.
A conquista pela igualdade nos leva além dos anos 1900 e nos conta histórias chocantes e inspiradoras. A partir de hoje, falarei, de duas em duas, de mulheres extremamente importantes e que mudaram os cursos da história. Dia sim, dia não, aqui neste blog, duas historias, muitas delas talvez desconhecidas para muitos.
Maud Wagner, a primeira tatuadora dos Estados Unidos - 1907
Maud Stevens Wagner nasceu em Kansas, em Fevereiro de 1877. Antes de ser tatuadora, ela era artista de circo e trabalhou em diversos espetáculos pelo país. Em 1904, em uma dessas viagens para apresentação como trapezista, ela conheceu Gus Wagner, um tatuador que se promovia como "o homem artisticamente mais marcado da América". Gus tinha 264 tatuagens e quando viu Maud, ficou encantado. Maud aceitou um encontro romântico com ele, caso Gus a ensinasse a tatuar. Alguns anos mais tarde, eles se casaram.
Como aprendiz do seu marido, Maud aprendeu a técnica tradicional chamada de "handpoked", no qual o desenho é criado ponto por ponto sem o uso de máquinas, totalmente artesanal, mesmo depois de já terem inventado a máquina elétrica. Ela testava essas técnicas na própria pele antes de as aplicar em outra pessoa.
A história cultural de tatuagens em mulheres é complicada. Na metade do Século XX, as que tinham o corpo tatuado eram vistas como atrações circenses, as vezes até colocadas em exposição. Mesmo assim, eram vistas (ainda) como rebeldes, mas também como mulheres de atitude, dando espaço para a feminilidade e para o feminismo, ao "tomarem conta do próprio corpo". Maud faleceu em 30 de Janeiro de 1961, aos 83 anos de idade, sem ter visto a queda do preconceito na tatuagem, coisa que tanto almejava. Mesmo assim, ela deixou um importante legado para a história.
Sarla Thakral, a primeira indiana a conquistar uma licença para pilotar - 1936
Sarla tinha apenas 21 anos quando decidiu se tornar a primeira mulher pilota na Índia, em 1936. O avião que usou para o voo de estréia era chamado de Gypsy Moth, que lembrava o 14-Bis usado pelo brasileiro Santos Dumont. Na época, Sarla tinha uma filha de 4 anos e contou com o apoio do marido P.D. Sharma, com quem se casou aos 16 anos.
Sarla garante que quem deu ainda mais apoio a ela foi o seu sogro. "Ele ficou muito entusiasmado com a ideia e me inscreveu no clube de voo", contou ela as publicações locais. "Eu sabia que estava entrando em um bastião masculino, mas eu devo dizer que os homens nunca me fizeram sentir que eu estava fora do meu lugar".
Sarla também quebrou os padrões da época ao entrar em um cabine de avião usando sari, um tipo de saia-xale usada por indianas, feita de um tecido fino, que envolve todo o corpo.
No meio de seu processo para tirar uma licença de voo mais avançada, estourou a Segunda Guerra Mundial, e seu treinamento foi suspenso. Após a guerra terminar, ela tirou a licença, mas três anos depois seu marido faleceu em um acidente de avião, fato que fez com que ela desistisse da carreira.
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Sexta Feira, dia 10/03, volto com mais duas histórias inspiradoras de grandes mulheres: Kathrine Switzer, a primeira mulher a correr a maratona de Boston (mesmo depois da tentativa de ser impedida pelos organizadores) e Annette Kellerman, presa por indecência após usar uma roupa de banho em público.
Referências:
http://followthecolours.com.br/tattoo-friday/10-curiosidades-sobre-maud-wagner-a-primeira-mulher-reconhecida-como-tatuadora-nos-estados-unidos/
http://www.meunegociobrilhante.com.br/inspire-se/elas-mudaram-o-mundo/mulher-piloto-indiana-sarla-thakral/





amei <3
ResponderExcluirViva tb aos homens que tem esse bom senso todo como tu!!
ResponderExcluirAgora que vi teu comentário Carol, obrigado pelo retorno <3
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